Dicas para uma vida feliz!!!

Para desenvolver uma vida plena, na qual tanto o bem estar físico quanto o mental estejam em um nível satisfatório é necessário desenvolver determinadas atitudes. Na verdade, atitudes relativamente simples, que devem ser implementadas na rotina diária. Não existe uma ordem a ser seguida; o importante é que aos poucos elas virem um hábito.
Curiosamente, desenvolver tais atitudes, acabam afetando positivamente outras áreas da vida.  Cabe ressaltar que a mudança não é imediata; leva algum tempo para que o resultado final seja alcançado mas pequenas mudanças podem ser percebidas ao longo do caminho e é preciso estar atento ao processo. Digo isso, pois vivemos em um mundo imediatista, no qual as pessoas buscam fórmulas mágicas o tempo todo e é importante compreender que existe um caminho a ser percorrido, e a cada degrau alcançado, ganhos vão sendo contabilizados.
De acordo com o que foi colocado até o momento, fiquei pensando em qual dica escrever inicialmente e me dei conta que este texto foi iniciado no dia do esportista, 19 de fevereiro. Como não acredito em coincidências, resolvi abordar a importância da prática esportiva na vida das pessoas. As vezes percebo certa estranheza quando eu, como psicóloga, sugiro aos meus clientes que comecem a praticar alguma atividade física. Afinal o que isso tem a ver com as dores emocionais que geralmente são trazidas ao consultório? Aparentemente nada, mas o corpo funciona muitas vezes como um termômetro indicando como o nosso emocional está e vice e versa.
A atividade física promove o bem estar em vários aspectos na vida, tanto no físico quanto no mental. Podemos dizer que a prática de atividade física atua em dois níveis: interno e externo. Ao nível interno, podemos dizer que ocorre através da liberação de um neurotransmissor chamado endorfina, também conhecido como hormônio do prazer, atua na melhora do humor, aumenta a concentração e capacidade da memória, melhora a capacidade de aprendizagem. É eficaz no alívio de dores, melhora na disposição física e mental, tem efeito antienvelhecimento, ou seja, melhor que qualquer cirurgia estética! Além de melhorar a imunidade e proporcionar um sono restaurador auxilia na prevenção e no controle da ansiedade e depressão.
Em um nível externo, ocorre uma melhora no autocuidado, melhora a postura, o círculo social é ampliado devido à interação social que ocorre nas atividades em grupo. Quando combinada com uma dieta balanceada orientada por um profissional, possibilita na melhora da obesidade e também reduz o estresse. Fica claro que praticar exercício físico é um excelente aliado na busca por uma vida mais saudável. É claro que alguns cuidados devem ser tomados, como procurar um médico para fazer uma avaliação e saber se está liberado para prática esportiva. Inclusive, se for o caso, até saber qual atividade física é a mais indicada no caso de ter algum comprometimento na saúde. O importante é começar!
Inicialmente não se cobre tanto e respeite o seu corpo. A atividade física deve ser feita de forma continua e regular para que efeito aconteça, seja qual for o objetivo.
Com o tempo, o corpo passa cobrar o movimento; quando chega nesse estágio, significa que o hábito foi inserido e com ele, outras mudanças vão acontecendo, seja em uma preocupação com uma alimentação saudável, seja com o horário de dormir. Não podemos afirmar exatamente quais os ganhos que cada pessoa terá, afinal o processo é individual.
Mas se você chegou até aqui e está pensando que não tem dinheiro, que seu horário não permite ou que com você é diferente, perceba que vários pensamentos disfuncionais são comuns quando o propósito é sair da zona de conforto. Iniciar algo novo nem sempre é fácil, por isso comece com o que é possível, mas faça um compromisso com você! E saia do sofá! Diga não ao sedentarismo!
Psicóloga Soraya Farias

O processo de emagrecimento – Parte 2

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Esse texto é voltado para as pessoas que de alguma forma foram contagiadas com a animação da corrida. Comigo, começou no facebook. Via algumas amigas naquele clima de corrida, super animadas que me dava até vontade de participar também (lembrando que eu era avessa a qualquer atividade física). Percebo que a mesma dificuldade que no início eu sentia, outras pessoas sentem, tanto que me perguntam o que fazer para começar. Além da própria internet, existem revistas especializadas sobre o assunto que são possíveis de se encontrar nas bancas de jornais.
No inicio eu também tinha dificuldades, queria muito participar, mas não ficava sabendo em tempo das provas. Para resolver esse problema recomendo acessar sites especializados em corridas e fazer o cadastro para ficar por dentro de todos os eventos e datas.  Dois sites que costumo acessar são o www.ativo.com e o www.webrun.com.br.
Existe também a possibilidade de participar de alguma equipe – o que eu acho muito legal – Caso faça essa opção, você será informado de algumas provas que a equipe correrá.  Além disso, participará de treinos com o próprio grupo, mas se você tiver horários apertados, como o meu, poderá receber por e-mail sua planilha de treino, que é criada de acordo com o seu objetivo. No caso de treinar individualmente, os treinos podem ser realizados na academia ou na rua, de acordo com a sua possibilidade, mas alternar dentro do possível os treinos na rua faz diferença. Inicialmente, eu acreditava que participar de uma equipe era algo para pessoas que já tinham algum tipo de experiência, mas puro engano. Iniciar numa equipe pode ser muito motivador, tanto nos treinos em grupos quanto nos individuais, pois acabam sendo desafios semanais a serem seguidos visando alcançar um determinado objetivo.
Mas correr requer alguns cuidados. Não adianta pensar que é só começar a correr e pronto. É importante deixar claro que o fortalecimento de joelho e quadril é essencial. Se não, algo que deveria ser um prazer pode se tornar um tormento com o surgimento de uma lesão. Nesse caso, a musculação e/ou o pilates são excelentes atividades para essa finalidade.
Outra pergunta comum, foi a respeito dos acessórios de corrida. Existe uma infinidade de tipos e modelos. Mas falarei apenas dos tênis. Quanto a ele, não se empolguem. Nem sempre o mais caro é o mais indicado. Minha recomendação é que antes de escolher um modelo, descubra o seu tipo de pisada (supinada, pronada ou neutra). Existem lojas especializadas que fazem este teste gratuitamente. Mas infelizmente, aprendi que não se pode confiar em “papo de vendedor” nesse momento, pois foi assim que acabei adquirindo alguns tênis inadequados para a prática de corrida ou para o meu tipo de pisada. Cheguei a conclusão que acaba sendo algo pessoal. Tem uma amiga que adora uma determinada marca, tem várias cores. Fui na dica dela e comprei o tal tênis. Acabei com bolhas no pé L. Hoje tenho a minha marca e modelo preferido e como dizem por aí “Não se mexe em time que está ganhando”… Rs. Ah! E para finalizar, outra recomendação que faço é que nunca deixem para estrear os tênis em uma prova, façam isso nos treinos para evitar desconforto desnecessário no dia.
Espero que eu tenha conseguido sanar algumas dúvidas e bom corrida à todos!!!
Psicóloga Soraya Farias

O processo de emagrecimento – Parte 1

A temática da obesidade sempre me interessou. Talvez seja pelo fato de eu ter passado pelos altos e baixos do processo de emagrecimento durante boa parte da vida, e como coloquei em um texto anterior, existem causas variadas, desde questões fisiológicas até de ordem emocional. E nesse processo, muitas pessoas acabam procurando fórmulas mágicas para lidar com o problema da obesidade, sem tentar compreender o que envolve realmente a situação vivenciada.
De certa forma, existem influências externas nesse processo, a partir do momento em que uma variedade de métodos são oferecidos para o alcance desse tão desejado corpo. São oferecidos inibidores de apetite, chás, massagens redutoras, dietas mirabolantes, cirurgias, técnicas variadas para esse fim, mas todas são soluções que funcionam de fora para dentro, ou seja, quem deseja emagrecer e manter o peso ideal se engana quando pensa que uma dessas soluções é a resposta para todos os problemas. O processo precisa acontecer de dentro para fora e não o inverso como ocorre nesses casos.
A partir desses questionamentos, resolvi iniciar uma pesquisa bibliográfica reunindo diversos autores que falavam sobre a mesma temática:emagrecimento. Reunir e ler o material foi o início do processo, mas quando comecei a colocar no papel tudo o que assimilava, percebi que faltava o principal, eu precisava vivenciar o processo de emagrecimento. Afinal, como trabalhar com emagrecimento, não estando satisfeita com o próprio corpo? Ou melhor, com o próprio movimento? O importante não é o resultado, mas o processo. É pensar em uma mudança para a vida. E esse tipo de comprometimento, de mudança, não é fácil, mas é possível! Emagrecer passa a ser um dos ganhos conseguidos nessa caminhada, pois a partir do momento em que o processo se inicia, o cansaço que acompanha o sedentário diminui consideravelmente.
No início não percebia, mas à medida que eu ia me aprofundando na pesquisa, tomava consciência do grande número de desculpas que eu mesma inventava, e a importância em saber lidar com tais desculpas é fundamental. Uma frase da qual desconheço o autor, mas que virou um mantra pra mim diz o seguinte: “Quando queremos algo, damos um jeito, quando não queremos, arrumamos uma desculpa”. E é bem assim, se deixarmos, colecionamos desculpas… “Estou sem tempo”, “Não ligo em estar acima do peso”, “Para investir em mim, precisarei de dinheiro” e tantas outras desculpas.
Outro ponto que percebo também é que eu já havia experimentado diversas atividades físicas, desde dança até luta, sem conseguir me interessar realmente por nenhuma. Hoje percebo que meus pensamentos disfuncionais colaboraram para que eu me distanciasse de qualquer atividade. Foi aí que a corrida entrou na minha vida. Queria algo diferente, que não precisasse do ambiente de academia. Mas como correr? Como começar?
Fui pelo caminho mais fácil. Contratei um profissional com experiência em corrida para me orientar sobre os movimentos, respiração e todos, ou quase todos os “macetes” relacionados ao esporte. Depois de ter iniciado, busquei informações sobre o assunto em revistas e livros especializados no assunto e percebi que muitas das informações estavam presentes naqueles “manuais”, ou seja, se você não tem condições de pagar um profissional, é possível começar a correr também. Atualmente, participo de uma equipe de corrida, na qual é passada uma planilha de treino individualizada e que de certa forma, traz outros benefícios associados.
Mas antes de eu chegar ao estágio em que me encontro, lembro-me de uma conversa que tive com minha nutricionista dizendo que escolhi correr para não ter que fazer musculação. Grande engano…rs… Para correr e evitar qualquer tipo de lesão é importante fazer o fortalecimento de algumas áreas, como joelho e quadril por exemplo. Praticar atividade física se tornou um prazer, até mesmo a musculação e o pilates que são atividades que realizo atualmente. Dessa forma, fica ainda mais claro que tudo está em nossa cabeça. Na verdade, parte da criação de um hábito, e como nunca fui propensa a prática de esportes, nem na infância isso acontecia, fugia de qualquer atividade física que me era oferecida. 
Manter o foco é fundamental; além disso, criar metas realistas com o objetivo a ser alcançado é muito importante. Metas impossíveis de serem cumpridas, só servem para desmotivar e não sair do lugar. Se ligue nisso! Se o foco é o emagrecimento, uma sugestão que eu dou é não colocar todo sua atenção nisso, elabore uma lista com todas as vantagens que você terá ao mudar seu hábito alimentar e inicie uma atividade física; pense no emagrecimento como um dos ganhos a serem conquistados.
Já que falei sobre hábito alimentar, é importante assinalar que não adianta iniciar uma atividade física e continuar comendo da mesma forma. Já escutei muitas pessoas dizendo que não costumam abusar, que se alimentam de forma saudável e que não entendem o motivo de não emagrecerem. Por isso, é importante procurar um profissional especializado. No meu caso, quando estive na nutricionista pela primeira vez, o meu problema, pasmem, é que eu comia menos do que deveria. Quando comecei a seguir as orientações dadas por ela, observei que me sentia mais bem disposta, e o mais importante, menos fome. O que desejo mostrar, é que o processo de emagrecimento não está ligado apenas ao fato de fechar a boca e aguardar as mudanças acontecerem, outros comportamentos precisam ser adotados, se não, é pouco provável que a mudança seja eficaz. No próximo texto responderei algumas perguntas feitas no facebook sobre o início da corrida. Espero que tenham gostado!!! 😉
Psicóloga Soraya Farias

Assertividade

 
 
No texto anterior foi possível perceber que cada pessoa tem sua própria maneira de motivar-se e também compreender como o processo ocorre na vida de cada um. A partir do momento em que temos esse conhecimento, fica mais fácil analisar as recaídas, e assim caminhar rumo a conquista! Como vimos, a motivação é um dos pontos importantes para qualquer a mudança, mas além dela, precisamos desenvolver o trabalho de assertividade, pois não adianta estarmos motivados e atuarmos de forma passiva na vida. Mas o que vem a ser assertividade? De acordo com Martins (2005, p. 22):
“entendemos assertividade como uma manifestação da possibilidade dialética da comunicação “eu ganho e você ganha”, ou seja, uma comunicação criativa, transparente, por meio da qual as pessoas expressam suas necessidades, seus pensamentos e sentimentos de forma honesta e direta, sem violar os mesmos direitos dos outros”.
Muitas pessoas acreditam que ao optar pela assertividade, magoarão o outro, mas não percebem que quando fazem a escolha de não “magoar” esse outro, expressando o que deseja e sente, acabam assumindo uma atitude passiva frente à vida. E como Martins (2005, p.26) afirma: “Se digo não com frequência, agrido o outro, mas se digo sim intensamente para o outro, agrido a mim mesmo”.
Ser assertivo é desenvolver a flexibilidade diante das situações ocorridas, compreendendo que diante de um problema, existem inúmeras possibilidades de solução. As bases da assertividade são uma boa autoestima, empatia, adaptabilidade, autocontrole, tolerância à frustração e sociabilidade. Essas atitudes são essenciais quando buscamos alcançar um objetivo, ou seja, quando sabemos onde queremos chegar. Além disso, é importante pensar positivamente, prevendo as dificuldades que possam surgir e pensar em estratégias de enfrentamento.
A partir do momento que escolhemos a assertividade, escolhemos a nós mesmos e deixamos de lado a insegurança e o medo que nos rodeia diante das consequências de nossas ações. Quando pensamos apenas nas consequências, no que o outro irá dizer, não valorizamos o ganho e acabamos virando reféns de nós mesmos. Vale ressaltar que é importante o ganho e que suas consequências estejam em equilíbrio (MARTINS, 2005).
Pensando especificamente no processo de emagrecimento, a assertividade tem um papel fundamental, pois já é sabido que em nossa cultura a comida também é associada ao afeto. Segundo Koenig (2011, p.37), “Ao longo dos tempos, o alimento tem sido uma forma de representar união e de fazer as pessoas felizes.” Em casos dessa natureza, é fundamental estar preparado para dizer não.
A comida pode ser oferecida como presente ou até mesmo como forma de reunir amigos ou familiares, e nesse caso, saber dizer não é muito importante. Não que haja proibição, mas quando o objetivo é emagrecer, é necessário ver o que é permitido e o quanto é permitido comer, e muitas vezes, quando um familiar ou amigo percebe que ocorreu alguma mudança na sua relação com a alimentação, logo vão questionar e na maioria das vezes, ocorre uma insistência por parte do outro.
Tais mudanças precisam ser percebidas como um obstáculo a ser ultrapassado, e ter em mente a meta que deseja alcançar é importante, isso faz com que você se fortaleça cada vez mais, minimizando o que os outros falam a respeito de sua escolha. Uns vão questionar o que você come e outros sem querer vão passar sua descrença. Enfim, o importante é não se deixar influenciar pelo que é colocado e sempre que surgirem dúvidas, busque seu “técnico” para compartilhar suas dúvidas (BECK, 2009).
Espero que tenham gostado… Até a próxima! 😉

Motivação


O objetivo deste texto é  abordar um tema de fundamental importância para qualquer processo de mudança, que é a motivação e como ela pode ser conquistada através do conhecimento de seus fatores predominantes. 

Para que um indivíduo alcance o sucesso em sua vida, é necessário que ele esteja motivado para isso, muitas vezes já se inicia uma atividade, repleto de pensamentos disfuncionais. Com isso, seu grau de energia para realizar qualquer tarefa fica abaixo do esperado. Por isso a terapia cognitivo-comportamental se torna fundamental nesse processo, como ficou registrado no capítulo anterior.
Como Lowe (2010, p.23) aponta: “motivação é um dos maiores segredos para o sucesso em todas as áreas de nossa vida”. E todos podem ser motivados, basta saber como fazê-lo adequadamente. Para isto, existem seis motivadores que estão divididos em três fatores que são:

  Desejos;

Necessidades;

 Agraciações.

Esses três fatores é o que a autora chama de DNA motivacional. Quando compreendemos a nossa forma ideal de motivação, fica mais fácil alcançar o objetivo. Lembrando que cada indivíduo tem uma maneira própria de se motivar, e que não existe a melhor ou pior, mas sim a ideal para cada pessoa e que podem variar de acordo com o contexto de vida. O primeiro fator está relacionado aos seus desejos, ou seja, é o que o faz partir para a ação e está ligada a sua energia interior. Nesse fator, existem dois motivadores especificamente, que são:

– Conexão: pessoas conectoras ficam mais motivadas quando se relacionam com outras pessoas, valorizam a interação e a inclusão e trabalham melhor em grupo.

–  Produção: pessoas produtoras também interagem bem com o grupo, mas o que as motiva mesmo são as conquistas e o resultado obtido de seu trabalho. Costumam ser persistentes e trabalham bem sob pressão.

O segundo fator, que são as necessidades, tem relação com o que o indivíduo precisa para sentir-se satisfeito em sua vida. Os dois motivadores desse fator são:

– Estabilidade: pessoas com esse perfil motivacional preferem a rotina e seguem bem regras. São organizadas e metódicas em suas ações. Gostam de pensar bem antes de agir.

– Variedade: pessoas variadoras são motivadas pela variedade, gostam de sair da rotina e são espontâneas, podendo em alguns momentos agir impulsivamente. Além disso, adaptam-se rapidamente a novos ambientes.

O terceiro e último fator, está ligado as agraciações, ou seja, como o indivíduo gosta de ser recompensado pela conclusão e pelo bom desempenho de suas conquistas. Os dois motivadores desse fator são:

– Interioridade: pessoas com esse perfil motivam-se quando percebem que seu trabalho trará alguma diferença na vida do outro. Valorizam o retorno financeiro, mas não é o principal em sua vida. Preferem o retorno psicológico e espiritual.

– Exterioridade: gostam de ser recompensados por seu trabalho e também do reconhecimento público e dos privilégios que recebem. Valorizam as oportunidades de crescimento e muitas vezes são vistos erroneamente como egoístas e gananciosos.

Quando o indivíduo se mantém em equilíbrio em seus três fatores dominantes, significa que alcançou o ponto ideal. Além disso, é possível também fazer uma combinação dos fatores aumentando assim, a capacidade do indivíduo de se relacionar melhor e solucionar problemas. Isso ocorre a partir do momento em que o interesse está em motivar o outro. Para isso, é necessário perceber qual o perfil motivacional e assim, falar a mesma linguagem (LOWE, 2010).
Além de compreender o perfil motivacional, é importante perceber a motivação também como um fator externo, a partir do momento em que o meio influencia nesse processo. Muitas vezes, não temos um ambiente propício para que uma reeducação alimentar tenha inicio ou ainda, não temos pessoas ao redor que apoiem nessa mudança. Dessa forma, fica evidente que o estado externo influencia o estado interno. Diante disso, no que se refere à motivação interna, é importante ter conhecimento que esse estado motivacional pode acarretar desequilíbrio em alguns momentos. Segundo Prochaska e Diclemente (1982, apud MILLER e ROLLNICK, 2001) quando as pessoas buscam modificações em suas vidas, elas passam por uma série de estágios até alcançar a mudança. Na figura abaixo, é possível observar como funciona esse processo através do que eles chamam de “roda da mudança”.
 
Ao todo são seis estágios, sendo o primeiro não representado na roda, que é a pré-ponderação. Nesse estágio, a pessoa não observa necessidade de mudança, pode até escutar de outras pessoas que está acima do peso, mas se coloca na defensiva dizendo que gosta do corpo do jeito que está que sempre foi assim, e por aí vai.
O segundo estágio é o de ponderação, nesse estágio, a pessoa começa a perceber a necessidade de mudança, mas fica “balançada”, ora querendo emagrecer, ora não. Percebe a necessidade de mudar, mas ao mesmo tempo justifica; funciona como se a pessoa constantemente fizesse uma lista contendo os pontos positivos e negativos em relação ao emagrecimento.
No terceiro estágio, ocorre a determinação. Nesse estágio, a pessoa reconhece que precisa fazer algo a respeito do seu peso, mas se algo não for feito rapidamente, ou seja, se ela não partir para o próximo estágio, que é a ação, a pessoa pode retornar para o estágio anterior.
Quando a pessoa chega ao estágio da ação, ela busca maneiras de alcançar sua meta. Esse é o momento em que a pessoa procura profissionais que a auxiliem no processo – psicólogo, nutricionista, endocrinologista, educador físico, etc. O grande lance é compreender que chegar nesse estágio não é garantia de sucesso, pois durante o processo podem ocorrer recaídas. Por isso, o trabalho com profissionais da psicologia é tão importante; com o acompanhamento de um profissional capacitado, é possível adquirir habilidades essenciais que serão necessárias no estágio seguinte, o estágio de manutenção. Chegando a esse estágio, o sucesso é garantido! (MILLER, ROLLNICK, 2001)
Mas se ocorrer a recaída, não é motivo de desespero, basta começar todo o processo novamente e aprender sempre. Como o próprio nome diz, a roda da mudança é um processo no qual acabamos passando várias vezes, afinal, o efeito sanfona está aí para comprovar.
 

Porém, além de saber motivar-se e motivar o outro, é necessário saber como se comunicar adequadamente, e para isso, é importante falar sobre assertividade…Aguardem! 😉

 

Psicóloga Soraya Farias

Reestruturação cognitiva e comportamental

 
Se você tem acompanhado as postagens anteriores, esse é o último referente a Terapia Cognitivo-Comportamental. Espero que gostem!
A partir do que foi levantado até o momento, ficará mais fácil compreender como a TCC pode contribuir para a manutenção e para o processo de emagrecimento do indivíduo. Relembrando que o comportamento é influenciado pela cognição, cognição esta que pode ser modificada gerando assim o comportamento desejado.
Na maioria das vezes, quando algumas pessoas têm dificuldades para emagrecer ou ficam numa oscilação do peso, ocorre o que chamamos de pensamentos disfuncionais ou sabotadores. Tais pensamentos dificultam na iniciação de algum programa de emagrecimento ou até mesmo em manter os comportamentos adequados para a manutenção do peso.
Um dos erros adotados pela maioria das pessoas é buscar formas de emagrecer rígidas demais, visando um resultado imediato e/ou muito diferentes do que já estão habituados a fazer em seu dia-a-dia, e o pior, não estando preparados para isso. Na maioria das vezes acabam fracassando e os pensamentos que estão associados ao fracasso são do tipo: “sou muito preguiçosa (o)”, “não tem jeito, sempre serei assim!”, “minha família é toda obesa, por isso sou gorda (o)”, “mudar é muito difícil”, “é a genética”, etc. Estes pensamentos acabam gerando sentimentos de impotência, desesperança e outros igualmente desagradáveis.
Dessa forma, Beck (2009) orienta que antes de buscar uma dieta, seria importante que a pessoa aprendesse a pensar funcionalmente de forma a manter um comportamento adaptativo em relação a sua meta. Tal aprendizado visa ampliar o repertório de habilidades para que a reeducação alimentar seja satisfatória. A partir do momento em que as técnicas são ensinadas, a pessoa pode começar a emagrecer antes mesmo de iniciar uma reeducação alimentar, pois é a partir desse aprendizado que a pessoa aprende a lidar com as dificuldades que ocorrem durante o processo.
Mas saber apenas as técnicas não é o suficiente.  É preciso também saber como colocar em ação, saber como o emocional interfere no processo e principalmente, ter consciência que cada um tem um processo de emagrecimento singular. De acordo com Ferreira (2009, p.25)
“Aceitar seu estado de obesidade é o primeiro passo. Saiba que aceitar não significa gostar de estar com sobrepeso, e sim reconhecer e respeitar o fato. Sem aceitação não há mudança, porque não há reconhecimento do que necessita ser mudado”.
De acordo com Beck (2009), um estudo feito na Suécia, demonstrou a eficácia da TCC em indivíduos que tinham como foco o emagrecimento. A conclusão do estudo foi que 92% das pessoas que passaram pelo programa conseguiram manter o peso e também reduziram ainda mais o peso após um ano e meio de tratamento. Já outros estudos revelaram que a maioria das pessoas que não passaram por um acompanhamento baseado na TCC voltou a recuperar a maior parte do peso eliminado.
Vale salientar que o pensamento pode influenciar na mudança de hábitos voltados para o emagrecimento de variadas formas. Quando uma pessoa inicia um processo de emagrecimento, ela não percebe, mas diversos pensamentos invadem sua mente. E como assinala Ferreira (2009, p.41) “quem deseja manter-se magro precisa emagrecer seu pensamento e sua alimentação de forma permanente.” Sendo assim, veja no quadro abaixo alguns dos pensamentos disfuncionais que dificultam no processo de emagrecimento.
Tipos de pensamentos
Características
Exemplos
Permissivo
Acompanhado de justificativas “mas…”.
  “Sei que para eu emagrecer preciso praticar atividade física, mas hoje estou tão cansada…”.
  “Sei que não deveria optar por um rodízio, mas se trata de uma comemoração…”.
Negativo
Acompanhado do erro cognitivo – catastrofização
 “Acabei comendo mais do que eu deveria… Sou um fracasso mesmo! Não adianta… Não vou conseguir…”.
Autorização
Desconsidera alguma ou todas as propostas do programa
 “Não tenho que ler os cartões de enfrentamento, sei exatamente do que preciso para mudar.”
Estressores
Estão associados à busca pela perfeição e com isso, criam metas irreais.
 “Não posso errar!”, “Tenho que fazer tudo perfeito”.
Quadro 1 – Tipos de pensamentos
O trabalho com esses tipos de pensamentos ocorrem através da reestruturação do pensamento. Dessa forma, o indivíduo aprenderá a pensar de maneira funcional e a lidar com as emoções conflituosas, ficando cada vez mais habilitado a resolver problemas e focando no que é mais saudável no momento. Essa mudança também acaba influenciando em seus comportamentos, pois tal aprendizagem torna o processo de emagrecimento bem mais fácil.
De acordo com Beck (2009), pessoas magras pensam de forma diferente de pessoas que tem dificuldade em manter ou que tem excesso de peso, com isso, fica nítido a necessidade de modificar o pensamento visando uma mudança no comportamento alimentar.
Outro fator importante a ser considerado é que o ato de comer vem sempre acompanhado de um estímulo. A partir do momento em que se percebem os estímulos, é possível aprender a reconhecê-los e a lidar positivamente com eles. Estimulo esse que pode ser:
  •   Estímulos ambientais: visão e o cheiro do alimento;
  •   Estímulos biológicos: fome e sede;
  •   Estímulos emocionais: a partir de sentimentos considerados desagradáveis o indivíduo busca o alimento como forma de alivio.
  •   Estímulos mentais: as imagens mentais sobre o ato de comer, ou focar a atenção em receitas, imagens de comida, etc.
  •   Estímulos sociais: pessoas que incentivam a comer ou o fato de querer comer como a maioria.
Segundo Beck (2009, p.37) a cadeia de eventos que leva ao ato de comer, ocorre da seguinte forma:
A pessoa encontra um estímulo, tem um pensamento, toma uma decisão  e logo age.
Muitas vezes o professor interno pode aparecer entre o pensamento e o comportamento, e esse debate entre o pensamento disfuncional e o pensamento funcional gera um gasto de energia que pode ser aliviado com a decisão de comer. Mas como Beck (2009, p. 38) aponta, “Da mesma forma que a decisão de comer pode reduzir a tensão, a decisão de não comer também pode”. Afinal o alivio ocorre antes de o alimento ser ingerido, pelo menos é assim que nosso cérebro funciona, ele registra o pensamento.
Um dos pontos trabalhados no programa de emagrecimento é a psicoeducacao, mostrando a importância de planejar a alimentação, aprender a resistir aos desejos por comida, melhorar ou modificar os hábitos alimentares, perceber a importância de atividade física. Ter um diário de bordo também é importante para que seus pensamentos e sentimentos sejam registrados. Além disso, pode ser um espaço para anotar e responder os pensamentos disfuncionais.
      Dessa forma, percebe-se a importância em incorporar algumas mudanças para que o programa tenha o sucesso esperado. Entre essas mudanças, podemos citar a forma de alimentar-se. É importante sentar-se para realizar as refeições. Além disso, é importante comer calmamente, saboreando o alimento, sem prestar atenção a outros estímulos, como comer falando ao telefone, ou na frente do computador, na frente da tv, etc.
Além de trabalhar a reestruturação do pensamento, outras habilidades também são necessárias para que o processo de emagrecimento seja eficaz. São elas:
  •   Saber diferenciar a fome da vontade de comer;
  •   Saber o quanto é necessário para saciar a fome;
  •   Não buscar na comida uma forma de conforto, que acaba gerando autocrítica e abala a autoconfiança.
  •   Perceber como terrível o fato de engordar.
  •   Ter atitude proativa, afinal uma pessoa magra não come bombas calóricas ou vivem para comer. Já uma em processo de emagrecimento pode ter uma atitude reativa, focando na injustiça e se colocando como vítima.
  •   Ter consciência que uma reeducação alimentar é para sempre. Apesar de o processo ser lento, as chances de manter são muito maiores.
Algumas técnicas auxiliarão no processo de emagrecimento. A primeira delas são os cartões de enfrentamento, que são cartões em brancos comprados em papelaria, no qual, recomenda-se escrever neles frases motivadoras mostrando as vantagens de emagrecer. Sempre colocando em ordem de importância. Para que o cérebro possa registrar estas frases, é necessário que sejam lidos duas vezes por dia. Não apenas fazer uma leitura, mas uma reflexão de todas as vantagens. E durante o programa é importante que outros cartões sejam criados para que haja cada vez mais uma maior implicação ao processo de emagrecimento (BECK, 2009).
E para colaborar na mudança por hábitos saudáveis, além da reestruturação dos pensamentos, é essencial que o ambiente também seja propicio para o processo de emagrecimento. Tirar os alimentos calóricos da frente é fundamental, cuidar dos estímulos ambientais ajuda muito. Trocar pratos e talheres grandes por pratos menores e optar por alimentos mais saudáveis.
Durante o processo, a pessoa aprende a reconhecer suas próprias qualidades. Que é fundamental para combater o lado critico, pois em vez de focar no que fez de errado, aprender a ver o que fez de certo faz toda a diferença. Isso facilita a lidar positivamente com possíveis deslizes.
Parece que quando o desejo é emagrecer varias situações ocorrem e desistir do emagrecimento é o mais fácil. Para solucionar essa questão, além de trabalhar os pensamentos disfuncionais, é importante eleger um “técnico”. Esse técnico terá a função de ajudar nós momentos de crise e também nós momentos de realizações. Esse técnico pode ser um amigo, um parente ou mesmo um profissional (BECK, 2009).
Além de trabalhar o olhar sobre a comida e o ato de comer, é preciso ter consciência que a atividade física é essencial para alcançar a meta e como consequência tem inúmeros benefícios:
  •   Melhor aderência à dieta;
  •   Controla melhor o apetite;
  •   Alivia o estresse e melhora a disposição;
  •   Queima calorias;
  •   Preserva o tecido muscular;
  •   Promove a autoconfiança;
  •   Promove um bem estar físico e mental;
  •   Melhora a saúde e evita doenças.
Cada vez fica mais claro que o processo de emagrecimento não se trata apenas de fechar a boca e fazer alguma atividade física. O emagrecimento é um processo lento, não acontece do dia para a noite, mas a partir do momento em que se inicia, traz grandes benefícios em várias áreas da vida.
Espero que tenham gostado! Até a próxima… 😉

Além das técnicas da terapia cognitivo-comportamental

No texto anterior falei sobre a terapia cognitivo-comportamental. Mas a abordagem não para por aí, existem muito mais informações a respeito dela. É uma abordagem rica e  que apresenta um resultado muito positivo no trabalho clínico. Diante disso, resolvi me estender um pouco mais e compartilhar com vocês esse texto que faz parte da minha monografia de conclusão de curso na especialização clínica em Terapia Cognitivo-Comportamental com ênfase em neurociência realizada no CPAF/UCAM RJ.
Muitos pensam que a TCC – terapia cognitivo-comportamental – é um amontoado de técnicas, de certa forma estão até certos, pois existem uma variedade de recursos disponíveis, mas não para por aí, não basta conhecer as técnicas e saber aplicá-las, é preciso estudo e aprimoramento constante por parte do profissional. Dessa forma, iniciando qualquer técnica na abordagem cognitivo-comportamental, é necessário que antes, o cliente perceba que ele, através de seus pensamentos disfuncionais é o responsável pelos problemas apresentados e não os outros como acontece na maioria das vezes. É muito comum jogarmos a responsabilidade para fatores externos (MCMULLIN, 2005).
            No primeiro encontro com o cliente é possível trabalhar essa questão através da técnica do A-B-C criada por Albert Elis. No qual, o “A” representa a situação e o “C” representa a consequência, ou seja, as emoções e os comportamentos. Essa é uma maneira universal de pensamento, mas é uma forma equivocada de pensar, pois o mundo externo não tem poder sobre nós. O responsável por nossos sentimentos está relacionado à nossa forma de pensar. Por isso, entre o “A” e o “C”, existe o “B” que representa nossas crenças que estão associadas à maneira de pensar, que podem ocorrer através de imagens, percepções, interpretações e fantasias (MCMULLIN, 2005).
            Parece fácil, mas nossos pensamentos são influenciados por um número extenso de processos internos, que muitas vezes já existem antes mesmo da situação “A” acontecer. Nossa maneira de perceber o mundo é um deles. Como falamos anteriormente, desde a infância vamos adquirindo uma série de aprendizagens que vão virando regras pessoais. Tais regras orientam nossas expectativas em relação a nós mesmos, ao outro e ao mundo. Quando estas expectativas estão fora da realidade, ocasiona um adoecimento, pois muitas vezes ou são inatingíveis ou viram obrigações na vida do individuo.
Outro ponto a levantar está no que o individuo acredita ser capaz de realizar, ou seja, sua autoeficácia.  Eficácia essa que precisa estar em equilíbrio, nem baixa e nem alta demais, se não sua realização fica comprometida. Tanto expectativas quanto autoeficácia formam o que chamamos de autoconceito. É ele que determina como o indivíduo atua na vida e também o que ele sente (MCMULLIN, 2005).
No caso da atenção, essa ocorre junto com a situação, ou seja, é ela que nos leva a perceber ou não o que ocorre. É como assistirmos uma cena de um filme, cada pessoa focará sua atenção em um determinado ponto. De acordo com McMullin (2005, p. 48) “O que nos afeta, no ambiente, é aquilo que nosso cérebro nos diz para prestar atenção”. Já a memória seletiva atua buscando experiências semelhantes já ocorridas na vida do individuo para assim, saber como agir diante do evento. Vale ressaltar que a memória não é exata, pois quando nos lembramos do passado, o recriamos de acordo com nossa percepção baseada no presente. Uma frase do escritor Gabriel García Márquez que retrata bem essa parte, diz o seguinte: “a vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para conta-la”.
            Outra influência é a necessidade que o ser humano tem de atribuir uma causa ao que acontece a ele. Se esta causa não é encontrada, ele a cria, mas nem sempre condiz com o que realmente é, dificultando assim, resolver o problema.
Não nos damos conta, mas entre uma emoção e um comportamento, sempre avaliamos a emoção antes de agirmos. E quanto mais negativa a avaliação em relação à emoção sentida, mais baixa será a capacidade de tolerância do individuo. O que determina a motivação do individuo em relação à situação ocorrida é o tipo de avaliação que fazem da emoção, caso essa avaliação seja negativa, o individuo terá dificuldades em lidar positivamente com o comportamento. Além da avaliação, temos também o que é chamado autoinstrução, que atua da mesma forma que a anterior, mas funciona como um professor interno. A autoinstrução é a forma encontrada pelo individuo, ainda enquanto criança, de lidar com determinadas situações da forma que ele acredita ser a mais adequada. O importante é perceber que tipo de conteúdo essa voz passa e qual o contexto em que ele é aplicado. Por exemplo, se uma pessoa que visa mudar os hábitos alimentares, tiver um professor interno crítico que diz: “Não está adiantando nada a reeducação alimentar”, a pessoa pode acabar desistindo do objetivo de emagrecer; já uma pessoa com o professor interno muito permissivo, pode pensar: “não tem problema abusar dos doces no final de semana, afinal é só dessa vez”.
Outra que também costuma atuar junto é a cognição oculta, que o individuo dificilmente reconhece, pois atua extremamente rápido e como consequência acaba agindo como se não tivesse escolhas. O individuo acaba relatando o seguinte: “Estava tão ansiosa que acabei me entupindo de sorvete” (MCMULLIN, 2005).
            Além de todas as influências anteriores que o pensamento sofre, ainda tem o estilo explicativo que está relacionado com a percepção geral que o individuo tem acerca da situação. É a forma que o individuo encontra para explicar o ocorrido e que também serve para compreendermos como o individuo atuará em situações futuras. Segundo Seligman (1975,1994, 1996, apud MCMULLIN, 2005) existem três categorias de estilo explicativo pessimista:
ü  Interno x Externo
ü  Estável x Instável
ü  Global x Específico
Os três tipos considerados desfavoráveis são: o interno, que está relacionado com o próprio indivíduo, ou seja, responsabiliza a genética ou sua personalidade com o problema. O estávelestá relacionado ao tempo de permanência do problema, que é percebido como duradouro e o global que acaba percebendo a situação de forma generalista, não vendo a situação como algo específico.
Diante do que foi visto até o momento, fica claro que as técnicas não são receitas de bolo como muitos ainda acreditam. E que outros fatores devem ser levados em consideração na hora da aplicação de uma técnica, para que a mesma tenha o resultado esperado.
Psicóloga Soraya Farias

 

Terapia Cognitivo-comportamental – TCC

No texto anterior, abordei o olhar sobre o corpo e sobre a alimentação. Neste texto, o objetivo é informar como surgiu a terapia cognitivo-comportamental e como esta pode auxiliar não só no que se refere ao emagrecimento, como também em variadas questões.
O olhar sobre a cognição nasceu a partir do questionamento existente a respeito de como a psicanálise e a abordagem comportamental lidavam com o problema da depressão. Na década de 60, tais questionamentos fizeram que alguns profissionais dessas abordagens buscassem nos processos cognitivos a explicação para os transtornos psicológicos. Nessa mesma década, Aaron Beck, ainda psicanalista, conduziu experimentos e observações clínicas, na qual se pensava na depressão como sendo uma raiva voltada para dentro. De acordo com Beck, os sonhos estavam associados à depressão, porém percebeu que os mesmos conteúdos presentes nos sonhos, estavam também presentes nos pensamentos dos pacientes. Tal conteúdo era sempre ligado à autocrítica, pessimismo e negatividade. Esta descoberta foi de grande importância para o surgimento da Terapia Cognitiva (PADESKY, 2010).
A partir daí, Beck passou a associar a depressão a padrões negativos de pensamento, levando ele a criar o Beck Depression Inventory(Inventário de Depressão de Beck – BDI), sendo este aperfeiçoado ao longo do tempo, passando a apontar também mudanças na motivação e no funcionamento físico. Além disso, é considerada a escala mais usada para mensurar a depressão (PADESKY, 2010).
Com isso, a Terapia Cognitiva (TC) foi cada vez mais se desenvolvendo e conquistando espaço no meio acadêmico. Segundo Knapp (2004), a Terapia Cognitivo Comportamental envolve mais de vinte abordagens terapêuticas, mas independente das diferenças que possam ocorrer, existem características comuns entre elas:
  Estão ligadas ao fato de considerar o comportamento como sendo influenciado pela cognição;
  Que a cognição pode ser monitorada e modificada;
  Que o comportamento desejado pode ser conseguido a partir da mudança de pensamento.
A TCC de Beck, inicialmente foi desenvolvida para o tratamento da depressão e atualmente pode ser aplicada em uma série de outros transtornos e/ou áreas. O foco do trabalho terapêutico está em identificar e reparar padrões de pensamentos disfuncionais por meio do levantamento de hipóteses que serão confirmadas ou não ao longo do processo. Segundo TEIXEIRA (2004, p.302) “As origens dessas distorções vêm de erros decorrentes da organização cognitiva individual que as pessoas desenvolvem ao longo do curso da vida.” Dessa forma, a terapia cognitiva está pautada na relação entre pensamento, emoção e comportamento, levando em consideração que não é a situação ocorrida que ativa os sentimentos, mas sim o que pensamos acerca da situação. Quando tais pensamentos são disfuncionais, suscitam sentimentos considerados negativos, podendo ocorrer dificuldade na adaptação do individuo em seu meio. 
Burns (1989 apud Knapp, 2004, p.20) “Nós sentimos o que pensamos” e por mais simples que pareça, não é bem assim. Freeman et al (1990 apud Knapp (2004, p.20) ressalta o seguinte:
“Mas a TC não é um modelo linear em que “as situações ativam pensamentos, que geram uma consequência com resposta emocional, comportamental e física”. Há uma interação recíproca de pensamentos, sentimentos, comportamentos, fisiologia e ambiente. É reconhecido que as emoções podem influenciar os processos cognitivos e que os comportamentos também podem influenciar a avaliação de uma situação pela modificação da própria situação ou por evocar respostas de outras pessoas”.
Na terapia cognitiva, quando se fala em cognição, é necessário apontar que identificamos e trabalhamos com três níveis de cognição. São eles:
  Pensamentos automáticos;
  Pressupostos subjacentes ou crenças intermediárias;
  Crenças nucleares ou centrais.
De acordo com a figura abaixo proposta por Knapp (2004), é possível perceber como são organizados os níveis de cognição. Os pensamentos automáticos estão ligados às crenças intermediárias que por sua vez estão ligadas as crenças nucleares ou centrais.

 
Os pensamentos automáticos como o próprio nome já diz, são os pensamentos que vem automaticamente à mente, de maneira rápida e que muitas vezes não são percebidos por quem os tem. Quando tais pensamentos são disfuncionais, eles atuam em cima das emoções e do comportamento do indivíduo, podendo vir em forma de pensamentos ou também em forma de imagens. Os pensamentos automáticos podem ocorrer através de situações internas, como por exemplo, um enjoo, ou externas, como por exemplo, alguém não retribuir uma saudação. Segundo Beck, “você pode aprender, no entanto, a identificar seus pensamentos automáticos prestando atenção às suas mudanças de afeto” (1997, p.30).
Os pensamentos automáticos podem ser de três tipos: Beck (1995 apud Knapp (2004, p.25) 
1.      Distorcidos, ocorrendo apesar das evidencias em contrário. 
Ex.: “Se me separar, nunca mais serei feliz”. 
2.      Acurados, mas com a conclusão distorcida. 
Ex.: “Meu filho não me telefonou até agora, deve estar incomodado comigo”. 
3.      Acurados, mas totalmente disfuncionais. 
Ex.: “Com essa lesão articular, a vida perdeu a graça, pois nunca mais poderei jogar tênis”.

Os pressupostos subjacentes ou crenças intermediárias como também são conhecidos influenciam os pensamentos automáticos e são influenciados pelas crenças centrais. Referem-se a padrões, atitudes, normas e regras impostas pelo individuo em situações vividas no dia a dia e estão sempre associadas a uma condição, que sendo seguida á risca, transcorre tudo maravilhosamente bem. O não cumprimento dessas crenças intermediárias pode ocasionar na ativação das crenças centrais negativas (KNAPP, 2004).
Segundo Beck (1997, p.32), “Em uma situação específica, as crenças subjacentes da pessoa influenciam sua percepção, que é expressa por pensamentos automáticos específicos à situação. Esses pensamentos, por sua vez, influenciam as emoções da pessoa”.
Exemplificando, vamos supor que uma pessoa tenha uma crença central de fracasso (falaremos sobre crenças centrais mais a frente) e tenha uma crença intermediária do tipo “tenho que ser o melhor em tudo que faço”. Percebem que existe uma condição? Caso ele não seja o melhor, sua crença central poderá ser ativada, ou seja, ele se achará um fracassado.
As crenças nucleares ou crenças centrais são formas de cognição mais internalizadas, consideradas verdades absolutas, percebidas de maneira rígida e generalizada pelo individuo, pois estão relacionadas às construções adquiridas na infância sobre a própria pessoa, o outro e sobre o mundo. Tais construções são fortalecidas ao longo dos anos, no qual servem de modelo para a interpretação de eventos ocorridos, formando o jeito psicológico de ser de cada um.
Beck (1995 apud Knapp, 2004, p.23) apresenta três agrupamentos de crenças disfuncionais:
1.      Crenças nucleares de desamparo(crenças sobre ser impotente, frágil, vulnerável, carente, desamparado, necessitado).
2.      Crenças nucleares de desamor (crenças sobre ser indesejável, incapaz de ser gostado, incapaz de ser amado, sem atrativos, imperfeito, rejeitado, abandonado, sozinho).
3.      Crenças nucleares de desvalor (Crenças sobre ser incapaz, incompetente, inadequado, ineficiente, falho, defeituoso, enganador, fracassado, sem valor). 
Associado as crenças centrais estão os esquemas. A diferença entre eles é 
que as crenças centrais são o conteúdo e os esquemas são as estruturas. Segundo Beck (1964,1967 apud Knapp, 2004, p.23)
“Esquemas são estruturas internas de relativa durabilidade que armazenam aspectos genéricos ou prototípicos de estímulos, idéias ou experiências, e também organizam informações novas para que tenham significado, determinando como os fenômenos são percebidos e conceitualizados.”
                Os esquemas primitivos mal adaptativos também são construídos a partir de interações disfuncionais com pessoas importantes na vida inicial do indivíduo. Os esquemas são compostos de cognições, memórias e sensações corporais vivenciadas pelo individuo e por sua interação com o outro, que servem como molde para o processamento de experiências.
Tais esquemas são considerados verdades absolutas, difíceis de modificar sem o trabalho terapêutico, estando também associados a um grande nível de afeto quando ativados (raiva, ansiedade, culpa ou tristeza), o que facilita a visualização do esquema, possibilitando o confronto e a modificação do mesmo (YOUNG, 2003)
Estes esquemas são desencadeados quando existe alguma mudança negativa na vida do indivíduo. Além disso, são autoperpetuáveis, ou seja, para que se mantenham, já que são resistentes à mudança, recorrem a três formas de atuação visando o reforçamento do esquema. Segundo Young (2003) e Knapp (2004) os processos de um esquema são:
  Manutenção do esquema: são utilizados o pensamento e o comportamento de forma a reforçarem o esquema. Age de acordo com uma profecia auto realizadora, pois o indivíduo atua de maneira a fazer que o esquema se mantenha. Além disso, algumas distorções cognitivas estão presentes, entre elas estão: maximização, minimização, abstração seletiva e generalização.
  Evitação do esquema: como o próprio nome já diz, o indivíduo busca evitar que o esquema seja ativado. Pode ocorrer através da evitação cognitiva, no qual o indivíduo bloqueia pensamentos ou imagens referentes ao esquema. Na evitação afetiva, o indivíduo bloqueia os sentimentos, sendo muito comum relatarem não sentir nada em situações que gerariam emoções na maioria das pessoas e por fim, a evitação comportamental que está associada ao fato do individuo evitar situações que possam desencadear o esquema.
  Compensação do esquema: Atuam tanto de forma cognitiva quanto comportamental e acabam atuando no polo oposto ao esquema. Por exemplo, se a pessoa tem um esquema de desconfiança, acaba confiando em todos. Muitas vezes é considerado de forma funcional, pois o individuo atua de maneira a atender as necessidades, porém acaba não dando certo, pois tudo precisa de um equilíbrio, que está ausente neste processo. 
Como podemos ver, a TCC é uma abordagem terapêutica diretiva e semiestruturada que visa à resolução de problemas. Tanto terapeuta quanto cliente tem um papel ativo no desenvolvimento da terapia, estabelecendo metas e tarefas entre as sessões. O cliente aprende a ser seu próprio terapeuta, através do aprendizado adquirido no decorrer das sessões e também através do feedback presente na relação terapêutica, possibilitando assim, uma melhor resposta futura frente a adversidades que surjam. Durante o processo terapêutico, o cliente aprende através de técnicas específicas a identificar seus pensamentos e crenças disfuncionais buscando alternativas mais adaptáveis para sua vida.
Referente ao tempo de tratamento existe uma variação, Nos estudos feitos por Beck (1976, Abreu, 2004, p.284), a proposta seria de quatro a quatorze sessões semanais. Neste mesmo estudo, foi apontado que alguns clientes podem levar de 1 a 2 anos para modificar suas crenças e comportamentos disfuncionais. Em outro estudo realizado por Beck e Freeman (1993, Abreu, 2004, p.284) apontam que a melhora dos sintomas está associada à motivação do cliente e da possibilidade de resolução do problema.
Apesar de parecer uma abordagem simples, existem vários detalhes que devem ser levados em consideração. No texto a seguir veremos mais informações sobre a Terapia cognitivo-comportamental. Espero que tenham gostado até aqui. 🙂
 
 
Referências bibliográficas
PADESKY, Christine A. Aaron Beck – A mente, o homem e o mentor. Organizadores: LEAHY, Robert L et al. Terapia cognitiva contemporânea: teoria, pesquisa e prática. Porto Alegre: Artmed, 2010. p.19
KNAPP, Paulo. Princípios fundamentais da terapia cognitiva. Organizadores: KNAPP, Paulo et al. Terapia cognitivo-comportamental na prática psiquiátrica. Porto Alegre: Artmed, 2004, p.19.
YOUNG, Jeffrey E. Terapia cognitiva para transtornos da personalidade – uma abordagem focada no esquema. Porto Alegre: Artmed, 2003.
BECK, Judith S. Terapia cognitiva – teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 1997.
Psicóloga Soraya Farias

A relação com a comida

Além de compreendermos o processo do corpo historicamente como mostrado no texto anterior, é necessário compreender também como ocorreu a história da alimentação e como esta contribuiu no que se refere ao excesso de peso.
A falta esteve presente em muitos momentos da história, como por exemplo, na Idade Média, por conta da peste negra ocorrida na Europa Ocidental, na qual a fome esteve presente de forma devastadora. Dessa forma, a gordura passa a exercer um papel compensatório em nossa sociedade.
Segundo Freire (2011, P.454) “O passado colonial brasileiro revela uma “história de gente gorda”, em que a gordura era sinônima de formosura, tornando-se a base de sustentação para que a barriga do burguês viesse a significar statuse prosperidade.”
O estudo sobre a comida e a forma de se alimentar deu inicio com a segunda geração da Escola dos Annales, movimento historiográfico fundado por Lucien Febvre e Marc Bloch, na qual a comida era percebida como um dos aspectos importantes relacionados a sobrevivência humana, juntamente com a habitação e o vestuário, passam a ser vistos como manifestações sócio-culturais de uma época. No que se refere à alimentação, percebem o compartilhar como forma de transmissão de valores, na qual “o que se come é tão importante quanto, quando, onde, como e com quem se come.” (FREIRE, 2011, p.455)
Já a história do restaurante está relacionada com o bem estar, a partir do momento que tem sua origem em pequenos estabelecimentos, com a finalidade de cuidar da saúde através da venda de sopas restauradoras, que eram servidas as pessoas enfraquecidas, daí o nome restaurante, de restaurar.
Outro fator importante encontrado em relação ao ato de comer refere-se a função de compartilhar afetos e costumes. A partir do momento em que a família se reúne em torno da mesa, a transmissão de costumes e a preservação de uma cultura acontecem, a partir daí, a crença de que a cozinha é a melhor parte da casa passa a existir.
O encontro que antes ocorria no momento da refeição passa a ser um evento raro. A pressa, fruto dos tempos pós-modernos passa a influenciar na maneira das pessoas se relacionarem com a comida e com a forma de comer. Aliado a isso, os fast foods passam a fazer parte do hábito alimentar do brasileiro (FREIRE, 2011).
As mudanças ocorridas nos padrões alimentares passam a olhar para o excesso de peso como uma epidemia global, sendo responsável por algumas doenças crônicas e a invalidez, mas vale considerar também os fatores causadores do desequilíbrio na pessoa, que são eles: genéticos, ambientais e patológicos.
De acordo com Freire (2011, p.459) “Entende-se que obesidade seja a situação em que o individuo apresenta uma quantidade de gordura maior do que a considerada normal”, lembrando que os padrões do que é normal e patológico estão em constante transformação. A OMS (Organização Mundial de Saúde) passou a considerar a obesidade como doença a partir de 1975 e para calcular se uma pessoa é obesa, a OMS escolheu o critério do Índice de Massa Corporal (IMC), no qual se calcula através da divisão do peso do corpo (kg) pela altura ao quadrado (m²); observando que quanto mais alto o IMC, maior é o risco de doenças. Sua classificação é feita da seguinte forma:
ü  18 a 24,9 – peso saudável (obesidade ausente);
ü  25 a 29,9 – grau de risco moderado (sobrepeso);
ü  30 a 34,9 – grau de risco alto (obesidade grau I);
ü  35 a 39,9 – grau de risco muito alto (obesidade grau II);
ü  Acima de 40 – grau de risco super alto (obesidade grau III – mórbida).
De acordo com os dados levantados pela SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica), 51% da população brasileira está acima do peso, desse número, 3% são obesos mórbidos e 66% tem idade entre 18 e 25 anos. Esses dados mostram que a obesidade é um problema de saúde pública, não só visto como uma questão de estética. (FREIRE, 2011)
Freire (2011, p. 462) aponta que “A obesidade resulta de uma completa desordem do apetite e do metabolismo energético; por isso, é necessário ensinar a criança a se nutrir e não induzi-la a preencher vazios internos com comida”. Além de ensinar a criança a importância de uma alimentação saudável, existe a necessidade de um treinamento no reconhecimento das emoções, pois tanto adultos quanto crianças, principalmente crianças, tem dificuldades em reconhecer as emoções e relacioná-las com os pensamentos. (BUNGE, GOMAR, MANDIL, 2012)
Fatores que também acabam gerando um desiquilíbrio em relação a forma de comer está associado a falta de práticas físicas e ao frequente uso da televisão – eu incluiria também o uso do computador em excesso. Percebe-se a importância do ambiente nesse processo, pois as áreas de lazer estão cada vez mais escassas nos centros urbanos. Além disso, os pais acabam valorizando uma educação baseada no ter em detrimento do ser, que acabam favorecendo a um desequilíbrio alimentar. Os hábitos alimentares são aprendidos no seio familiar, ou seja, a família serve como modelo que será levado até a fase adulta. TOZATTO apud FREIRE abordando o conceito de “geracionalidade” no que se refere aos transtornos alimentares aponta que:
“(…) tais desordens podem ter um histórico calcado em um legado transgeracional. Nesse sentido, a família pode ser vista como um envelope psíquico, que inscreve a criança em uma cadeia geracional. Quando a transmissão de valores se dá no positivo, é chamada de legado geracional, que propicia o encadeamento da dinâmica da vida, sem omissões ou segredos, permitindo, que se de a importante apropriação da trama familiar. É a partir daí, então, que o individuo pode passar a ser Sujeito da sua própria história. Por outro lado, quando se esbarra em impedimentos e em traumas familiares, que trazem em si segredos, lutas, perdas ou vergonhas, o legado é chamado transgeracional, ficando encriptado e podendo chegar à geração seguinte em forma de fantasma. A ‘geracionalidade’ no modo como os membros da família se relacionam com o alimento, o qual, de acordo com premissa máxima, é uma forma de afeto.” (2011, p. 465)
Dessa forma, o que não é expresso ou compreendido claramente pode se manifestar através do corpo. Miller (2011, p. 24) afirma que:
O corpo é o guardião de nossa verdade, porque carrega em si a experiência de toda a nossa vida e cuida para que consigamos viver com a verdade de nosso organismo. Ele nos obriga, com ajuda dos sintomas, a admitir essa verdade, inclusive de forma cognitiva, de modo que possamos nos comunicar harmonicamente com a criança um dia maltratada e humilhada que vive em nós.
Os dados históricos vistos até o presente momento facilitam uma melhor compreensão de como este se relaciona com a história individual de cada um. Já nos dias atuais, com a importância pautada no ter, a mídia passa a influenciar na forma de consumo das pessoas. Tal consumo acaba sendo associado à obesidade, a partir do momento em que as pessoas buscam suprir suas faltas através dos excessos, levando cada vez mais a comportamentos compulsivos. Freire (2011, p. 465) aponta que “O momento tem a marca registrada dos excessos, e as doenças atuais são o reflexo dessa tendência ao exagero (…)”. E os excessos acabam apontando para uma falta de limites, que está associada a uma característica da vida atual.
Em relação aos sentimentos, nota-se que existe um tabu ao lidar com os sentimentos considerados desagradáveis, com isso, ocorre uma dificuldade em reconhecer e encontrar meios de lidar de maneira adaptativa na vida. Ligado a isso, o contato com vínculos estáveis, favorece a resiliência, que está ligado a forma do individuo superar as adversidades, que ocorrem de forma continua durante a vida. Se não existe o contato com vínculos estáveis, os fatores de risco aumentam. Nesse sentido, podemos compreender que o excesso de peso ocorre da seguinte forma: “o obeso tenta preencher o vazio com alimento, em uma tentativa insaciável de aplacar a angustia, em vez de atravessá-la” FREIRE (2011, p. 473).
Associando a importância de vínculos positivos com o ato de alimentar-se, Freire destaca que:
Acreditando que o alimento é uma forma de afeto, é possível entender que alguns desenvolvam uma relação doentia com a alimentação, exatamente pela impossibilidade de bem decodificar as mensagens, eventualmente duplas, que tenham recebido em sua primeira infância (2011, p.470).
            Diante do que foi apresentado até o momento, é possível perceber que não existe uma única causa para o excesso de peso, podem estar associadas a influências socioculturais e emocionais. Não esquecendo também dos fatores genéticos e psicopatológicos que podem desencadear o sobrepeso e/ou a obesidade.
Atualmente, por mais que existam publicações a respeito do tema, as pessoas buscam áreas isoladas para resolver o problema do emagrecimento. No entanto, a resposta para essa questão está na interação entre profissionais de variadas áreas – medicina, nutrição, educação física e psicologia – para que o resultado seja realmente eficaz e duradouro.
Nesse sentido, vale ressaltar que o objetivo do presente trabalho é apresentar alguns temas importantes na área da psicologia sob a ótica da terapia cognitivo-comportamental que devem ser levantados em programas cujo objetivo seja o emagrecimento.
            No texto a seguir, abordarei informações sobre a construção da teoria e prática da terapia cognitivo comportamental (TCC).
Psicóloga Soraya Farias

 

Que corpo é esse?

Venho estudando sobre o tema emagrecimento e gostaria de compartilhar com todos os interessados um pouco do meu trabalho. Ao longo das semanas, postarei a continuação desse trabalho. Espero que gostem!
Esse texto tem como objetivo levantar uma reflexão sobre o corpo numa perspectiva histórica, visando compreender sua construção em relação ao emagrecimento até os dias atuais. 
Dessa forma, é importante ressaltar que o corpo foi inventado no século XX, a partir das observações feitas por Freud nos corpos exibidos por Charcot em Salpêtrière; A partir disso, viriam estudos sobre o inconsciente e como este se comunica através do corpo, em seguida viriam estudos sobre as somatizações; este último, levando a compreender o corpo como parte de sua formação enquanto sujeito. Cabe salientar que antes do século XX, o corpo era visto com um pedaço de matéria, ou seja, parte de uma engrenagem. (COURTINE, 2006)
A partir do século XX a saúde passou a ser percebida como sendo um direito do homem. Saúde esta, que coloca a medicina como sendo essencial à vida das pessoas, e o corpo passa ser a forma de demonstrar essa saúde. Segundo Moulin (2006, p.15):
A assim chamada medicina ocidental tornou-se não apenas o principal recurso em caso de doenças, mas um guia de vida concorrente das tradicionais direções da consciência. Ela promulga regras de comportamentos, censura os prazeres, aprisiona o cotidiano em uma rede de recomendações.
No período conhecido como Belle Époque, que compreende o final do século XIX e inicio do século XX, o pudor corporal vai dando indícios de seu fim. Antes as pernas não podiam ser mostradas e o corpo precisava ser escondido até no momento de fazer amor com o intuito de “não despertar pensamentos pecaminosos em relação à moral religiosa”. O corpo antes proibido de ser mostrado vai se revelando através da moda e do turismo. Inicialmente os maios eram inteiros e escuros, depois passam a ser claros e com listras, sempre com a intenção de esconder os corpos. A partir de 1930 as roupas de banho vão diminuindo. As mulheres passam a usar vestidos mais curtos e o espartilho dá lugar ao sutiã. Nesta mesma época a sexualidade antes apenas sugerida, passa a fazer parte dos filmes e cartazes.
Todas essas mudanças no guarda-roupa tiveram um reflexo na vida das pessoas. Segundo SOHN (2006, p.111-112)
Desde então, com efeito, que homens e mulheres não podem mais trapacear com o corpo, os cânones da beleza física se mostram muito exigentes. A partir da Belle Époque, o modelo do homem e mulher magros e longilíneos predomina. Com a nudez do verão, é necessário ainda por cima exibir músculos firmes. O recuo do pudor implica assim um novo trabalho sobre o corpo entre musculação e dietética incipiente. Mas é só depois, da década de 1960, que o regime passa a ser uma preocupação unanimemente compartilhada (…).
            É também a partir de 1930 que as cirurgias estéticas vão sendo procurada pelas mulheres e a musculação pelos homens. Na segunda metade do século XX é lançado o biquine, considerado um escândalo e um pouco mais tarde, 1964, as mulheres passam a tirar a parte de cima do biquine em nome da liberdade corporal.
            No que se refere à alimentação, esse discurso sempre fez parte da vida das pessoas, mas é a partir do século XX que ele toma a forma de prevenção, visando um indivíduo saudável. Por volta da segunda metade do século XX nasce um novo discurso dietético, no qual se faz necessário um profissional formado para essa prática. Inicialmente é a médica dieteticista, grupo este, formado em sua maioria por mulheres e que mais tarde passa a fazer parte das práticas sociais, formado por médicos especializados como “nutricionistas”. Essa área trabalha de maneira autônoma, oferecendo resultados rápidos e sem a ligação com o sistema médico. Ory (2006) destaca que:
Essa preocupação crescente das sociedades desenvolvidas, tendendo em certos indivíduos à ansiedade, ou até à obsessão, ainda mais quando combinada com o diagnóstico complexo, e de difícil tratamento, da anorexia, alimenta, logo, uma vulgata dietética sempre mais difundida e, em função dos avanços do conhecimento biológico, sempre mais sofisticados, como o comprova a passagem da temática da “celulite” à do “colesterol”, depois à distinção entre colesterol “bom” e “mau”, etc. (2006, p.164)
            Com as mudanças ocorridas nos campos cultural e econômico, os corpos passam a apresentar um modelo de saúde estando esguios facilmente encontrados na classe dominante e na classe média. Além disso, outro ponto a destacar é a mudança ocorrida no setor do trabalho, no qual a necessidade de esforço físico vai diminuindo a cada dia, provocando um aumento na obesidade. “O sobrepeso vai se tornar, na aurora do século XXI, uma preocupação ao mesmo tempo da “autoimagem” individual bem como de saúde pública (…)” (ORY, 2006, p.164).
            O saber dietético acaba se ampliando devido às revistas femininas e também ao modelo de magreza trazida pela boneca Barbie desenvolvida pela empresa Mattel. Concomitante a isso, na década de 60 a modelo Twiggy se torna ícone de beleza, deixando para traz os corpos curvilíneos da década de 50 representados pelas pin-up. O discurso do corpo esguio é apoiado pelos médicos como sinônimo de saúde, provocando um aumento de pacientes, tanto homens quanto mulheres para a melhora de sua forma física. (ORY, 2006)
            A seguir abordaremos a relação que o corpo tem com a comida, a partir do viés histórico do ato de se alimentar. (CONTINUA…)
Psicóloga Soraya Farias