Dicas para uma vida feliz!!!

Para desenvolver uma vida plena, na qual tanto o bem estar físico quanto o mental estejam em um nível satisfatório é necessário desenvolver determinadas atitudes. Na verdade, atitudes relativamente simples, que devem ser implementadas na rotina diária. Não existe uma ordem a ser seguida; o importante é que aos poucos elas virem um hábito.
Curiosamente, desenvolver tais atitudes, acabam afetando positivamente outras áreas da vida.  Cabe ressaltar que a mudança não é imediata; leva algum tempo para que o resultado final seja alcançado mas pequenas mudanças podem ser percebidas ao longo do caminho e é preciso estar atento ao processo. Digo isso, pois vivemos em um mundo imediatista, no qual as pessoas buscam fórmulas mágicas o tempo todo e é importante compreender que existe um caminho a ser percorrido, e a cada degrau alcançado, ganhos vão sendo contabilizados.
De acordo com o que foi colocado até o momento, fiquei pensando em qual dica escrever inicialmente e me dei conta que este texto foi iniciado no dia do esportista, 19 de fevereiro. Como não acredito em coincidências, resolvi abordar a importância da prática esportiva na vida das pessoas. As vezes percebo certa estranheza quando eu, como psicóloga, sugiro aos meus clientes que comecem a praticar alguma atividade física. Afinal o que isso tem a ver com as dores emocionais que geralmente são trazidas ao consultório? Aparentemente nada, mas o corpo funciona muitas vezes como um termômetro indicando como o nosso emocional está e vice e versa.
A atividade física promove o bem estar em vários aspectos na vida, tanto no físico quanto no mental. Podemos dizer que a prática de atividade física atua em dois níveis: interno e externo. Ao nível interno, podemos dizer que ocorre através da liberação de um neurotransmissor chamado endorfina, também conhecido como hormônio do prazer, atua na melhora do humor, aumenta a concentração e capacidade da memória, melhora a capacidade de aprendizagem. É eficaz no alívio de dores, melhora na disposição física e mental, tem efeito antienvelhecimento, ou seja, melhor que qualquer cirurgia estética! Além de melhorar a imunidade e proporcionar um sono restaurador auxilia na prevenção e no controle da ansiedade e depressão.
Em um nível externo, ocorre uma melhora no autocuidado, melhora a postura, o círculo social é ampliado devido à interação social que ocorre nas atividades em grupo. Quando combinada com uma dieta balanceada orientada por um profissional, possibilita na melhora da obesidade e também reduz o estresse. Fica claro que praticar exercício físico é um excelente aliado na busca por uma vida mais saudável. É claro que alguns cuidados devem ser tomados, como procurar um médico para fazer uma avaliação e saber se está liberado para prática esportiva. Inclusive, se for o caso, até saber qual atividade física é a mais indicada no caso de ter algum comprometimento na saúde. O importante é começar!
Inicialmente não se cobre tanto e respeite o seu corpo. A atividade física deve ser feita de forma continua e regular para que efeito aconteça, seja qual for o objetivo.
Com o tempo, o corpo passa cobrar o movimento; quando chega nesse estágio, significa que o hábito foi inserido e com ele, outras mudanças vão acontecendo, seja em uma preocupação com uma alimentação saudável, seja com o horário de dormir. Não podemos afirmar exatamente quais os ganhos que cada pessoa terá, afinal o processo é individual.
Mas se você chegou até aqui e está pensando que não tem dinheiro, que seu horário não permite ou que com você é diferente, perceba que vários pensamentos disfuncionais são comuns quando o propósito é sair da zona de conforto. Iniciar algo novo nem sempre é fácil, por isso comece com o que é possível, mas faça um compromisso com você! E saia do sofá! Diga não ao sedentarismo!
Psicóloga Soraya Farias

O processo de emagrecimento – Parte 2

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Esse texto é voltado para as pessoas que de alguma forma foram contagiadas com a animação da corrida. Comigo, começou no facebook. Via algumas amigas naquele clima de corrida, super animadas que me dava até vontade de participar também (lembrando que eu era avessa a qualquer atividade física). Percebo que a mesma dificuldade que no início eu sentia, outras pessoas sentem, tanto que me perguntam o que fazer para começar. Além da própria internet, existem revistas especializadas sobre o assunto que são possíveis de se encontrar nas bancas de jornais.
No inicio eu também tinha dificuldades, queria muito participar, mas não ficava sabendo em tempo das provas. Para resolver esse problema recomendo acessar sites especializados em corridas e fazer o cadastro para ficar por dentro de todos os eventos e datas.  Dois sites que costumo acessar são o www.ativo.com e o www.webrun.com.br.
Existe também a possibilidade de participar de alguma equipe – o que eu acho muito legal – Caso faça essa opção, você será informado de algumas provas que a equipe correrá.  Além disso, participará de treinos com o próprio grupo, mas se você tiver horários apertados, como o meu, poderá receber por e-mail sua planilha de treino, que é criada de acordo com o seu objetivo. No caso de treinar individualmente, os treinos podem ser realizados na academia ou na rua, de acordo com a sua possibilidade, mas alternar dentro do possível os treinos na rua faz diferença. Inicialmente, eu acreditava que participar de uma equipe era algo para pessoas que já tinham algum tipo de experiência, mas puro engano. Iniciar numa equipe pode ser muito motivador, tanto nos treinos em grupos quanto nos individuais, pois acabam sendo desafios semanais a serem seguidos visando alcançar um determinado objetivo.
Mas correr requer alguns cuidados. Não adianta pensar que é só começar a correr e pronto. É importante deixar claro que o fortalecimento de joelho e quadril é essencial. Se não, algo que deveria ser um prazer pode se tornar um tormento com o surgimento de uma lesão. Nesse caso, a musculação e/ou o pilates são excelentes atividades para essa finalidade.
Outra pergunta comum, foi a respeito dos acessórios de corrida. Existe uma infinidade de tipos e modelos. Mas falarei apenas dos tênis. Quanto a ele, não se empolguem. Nem sempre o mais caro é o mais indicado. Minha recomendação é que antes de escolher um modelo, descubra o seu tipo de pisada (supinada, pronada ou neutra). Existem lojas especializadas que fazem este teste gratuitamente. Mas infelizmente, aprendi que não se pode confiar em “papo de vendedor” nesse momento, pois foi assim que acabei adquirindo alguns tênis inadequados para a prática de corrida ou para o meu tipo de pisada. Cheguei a conclusão que acaba sendo algo pessoal. Tem uma amiga que adora uma determinada marca, tem várias cores. Fui na dica dela e comprei o tal tênis. Acabei com bolhas no pé L. Hoje tenho a minha marca e modelo preferido e como dizem por aí “Não se mexe em time que está ganhando”… Rs. Ah! E para finalizar, outra recomendação que faço é que nunca deixem para estrear os tênis em uma prova, façam isso nos treinos para evitar desconforto desnecessário no dia.
Espero que eu tenha conseguido sanar algumas dúvidas e bom corrida à todos!!!
Psicóloga Soraya Farias

O processo de emagrecimento – Parte 1

A temática da obesidade sempre me interessou. Talvez seja pelo fato de eu ter passado pelos altos e baixos do processo de emagrecimento durante boa parte da vida, e como coloquei em um texto anterior, existem causas variadas, desde questões fisiológicas até de ordem emocional. E nesse processo, muitas pessoas acabam procurando fórmulas mágicas para lidar com o problema da obesidade, sem tentar compreender o que envolve realmente a situação vivenciada.
De certa forma, existem influências externas nesse processo, a partir do momento em que uma variedade de métodos são oferecidos para o alcance desse tão desejado corpo. São oferecidos inibidores de apetite, chás, massagens redutoras, dietas mirabolantes, cirurgias, técnicas variadas para esse fim, mas todas são soluções que funcionam de fora para dentro, ou seja, quem deseja emagrecer e manter o peso ideal se engana quando pensa que uma dessas soluções é a resposta para todos os problemas. O processo precisa acontecer de dentro para fora e não o inverso como ocorre nesses casos.
A partir desses questionamentos, resolvi iniciar uma pesquisa bibliográfica reunindo diversos autores que falavam sobre a mesma temática:emagrecimento. Reunir e ler o material foi o início do processo, mas quando comecei a colocar no papel tudo o que assimilava, percebi que faltava o principal, eu precisava vivenciar o processo de emagrecimento. Afinal, como trabalhar com emagrecimento, não estando satisfeita com o próprio corpo? Ou melhor, com o próprio movimento? O importante não é o resultado, mas o processo. É pensar em uma mudança para a vida. E esse tipo de comprometimento, de mudança, não é fácil, mas é possível! Emagrecer passa a ser um dos ganhos conseguidos nessa caminhada, pois a partir do momento em que o processo se inicia, o cansaço que acompanha o sedentário diminui consideravelmente.
No início não percebia, mas à medida que eu ia me aprofundando na pesquisa, tomava consciência do grande número de desculpas que eu mesma inventava, e a importância em saber lidar com tais desculpas é fundamental. Uma frase da qual desconheço o autor, mas que virou um mantra pra mim diz o seguinte: “Quando queremos algo, damos um jeito, quando não queremos, arrumamos uma desculpa”. E é bem assim, se deixarmos, colecionamos desculpas… “Estou sem tempo”, “Não ligo em estar acima do peso”, “Para investir em mim, precisarei de dinheiro” e tantas outras desculpas.
Outro ponto que percebo também é que eu já havia experimentado diversas atividades físicas, desde dança até luta, sem conseguir me interessar realmente por nenhuma. Hoje percebo que meus pensamentos disfuncionais colaboraram para que eu me distanciasse de qualquer atividade. Foi aí que a corrida entrou na minha vida. Queria algo diferente, que não precisasse do ambiente de academia. Mas como correr? Como começar?
Fui pelo caminho mais fácil. Contratei um profissional com experiência em corrida para me orientar sobre os movimentos, respiração e todos, ou quase todos os “macetes” relacionados ao esporte. Depois de ter iniciado, busquei informações sobre o assunto em revistas e livros especializados no assunto e percebi que muitas das informações estavam presentes naqueles “manuais”, ou seja, se você não tem condições de pagar um profissional, é possível começar a correr também. Atualmente, participo de uma equipe de corrida, na qual é passada uma planilha de treino individualizada e que de certa forma, traz outros benefícios associados.
Mas antes de eu chegar ao estágio em que me encontro, lembro-me de uma conversa que tive com minha nutricionista dizendo que escolhi correr para não ter que fazer musculação. Grande engano…rs… Para correr e evitar qualquer tipo de lesão é importante fazer o fortalecimento de algumas áreas, como joelho e quadril por exemplo. Praticar atividade física se tornou um prazer, até mesmo a musculação e o pilates que são atividades que realizo atualmente. Dessa forma, fica ainda mais claro que tudo está em nossa cabeça. Na verdade, parte da criação de um hábito, e como nunca fui propensa a prática de esportes, nem na infância isso acontecia, fugia de qualquer atividade física que me era oferecida. 
Manter o foco é fundamental; além disso, criar metas realistas com o objetivo a ser alcançado é muito importante. Metas impossíveis de serem cumpridas, só servem para desmotivar e não sair do lugar. Se ligue nisso! Se o foco é o emagrecimento, uma sugestão que eu dou é não colocar todo sua atenção nisso, elabore uma lista com todas as vantagens que você terá ao mudar seu hábito alimentar e inicie uma atividade física; pense no emagrecimento como um dos ganhos a serem conquistados.
Já que falei sobre hábito alimentar, é importante assinalar que não adianta iniciar uma atividade física e continuar comendo da mesma forma. Já escutei muitas pessoas dizendo que não costumam abusar, que se alimentam de forma saudável e que não entendem o motivo de não emagrecerem. Por isso, é importante procurar um profissional especializado. No meu caso, quando estive na nutricionista pela primeira vez, o meu problema, pasmem, é que eu comia menos do que deveria. Quando comecei a seguir as orientações dadas por ela, observei que me sentia mais bem disposta, e o mais importante, menos fome. O que desejo mostrar, é que o processo de emagrecimento não está ligado apenas ao fato de fechar a boca e aguardar as mudanças acontecerem, outros comportamentos precisam ser adotados, se não, é pouco provável que a mudança seja eficaz. No próximo texto responderei algumas perguntas feitas no facebook sobre o início da corrida. Espero que tenham gostado!!! 😉
Psicóloga Soraya Farias

Assertividade

 
 
No texto anterior foi possível perceber que cada pessoa tem sua própria maneira de motivar-se e também compreender como o processo ocorre na vida de cada um. A partir do momento em que temos esse conhecimento, fica mais fácil analisar as recaídas, e assim caminhar rumo a conquista! Como vimos, a motivação é um dos pontos importantes para qualquer a mudança, mas além dela, precisamos desenvolver o trabalho de assertividade, pois não adianta estarmos motivados e atuarmos de forma passiva na vida. Mas o que vem a ser assertividade? De acordo com Martins (2005, p. 22):
“entendemos assertividade como uma manifestação da possibilidade dialética da comunicação “eu ganho e você ganha”, ou seja, uma comunicação criativa, transparente, por meio da qual as pessoas expressam suas necessidades, seus pensamentos e sentimentos de forma honesta e direta, sem violar os mesmos direitos dos outros”.
Muitas pessoas acreditam que ao optar pela assertividade, magoarão o outro, mas não percebem que quando fazem a escolha de não “magoar” esse outro, expressando o que deseja e sente, acabam assumindo uma atitude passiva frente à vida. E como Martins (2005, p.26) afirma: “Se digo não com frequência, agrido o outro, mas se digo sim intensamente para o outro, agrido a mim mesmo”.
Ser assertivo é desenvolver a flexibilidade diante das situações ocorridas, compreendendo que diante de um problema, existem inúmeras possibilidades de solução. As bases da assertividade são uma boa autoestima, empatia, adaptabilidade, autocontrole, tolerância à frustração e sociabilidade. Essas atitudes são essenciais quando buscamos alcançar um objetivo, ou seja, quando sabemos onde queremos chegar. Além disso, é importante pensar positivamente, prevendo as dificuldades que possam surgir e pensar em estratégias de enfrentamento.
A partir do momento que escolhemos a assertividade, escolhemos a nós mesmos e deixamos de lado a insegurança e o medo que nos rodeia diante das consequências de nossas ações. Quando pensamos apenas nas consequências, no que o outro irá dizer, não valorizamos o ganho e acabamos virando reféns de nós mesmos. Vale ressaltar que é importante o ganho e que suas consequências estejam em equilíbrio (MARTINS, 2005).
Pensando especificamente no processo de emagrecimento, a assertividade tem um papel fundamental, pois já é sabido que em nossa cultura a comida também é associada ao afeto. Segundo Koenig (2011, p.37), “Ao longo dos tempos, o alimento tem sido uma forma de representar união e de fazer as pessoas felizes.” Em casos dessa natureza, é fundamental estar preparado para dizer não.
A comida pode ser oferecida como presente ou até mesmo como forma de reunir amigos ou familiares, e nesse caso, saber dizer não é muito importante. Não que haja proibição, mas quando o objetivo é emagrecer, é necessário ver o que é permitido e o quanto é permitido comer, e muitas vezes, quando um familiar ou amigo percebe que ocorreu alguma mudança na sua relação com a alimentação, logo vão questionar e na maioria das vezes, ocorre uma insistência por parte do outro.
Tais mudanças precisam ser percebidas como um obstáculo a ser ultrapassado, e ter em mente a meta que deseja alcançar é importante, isso faz com que você se fortaleça cada vez mais, minimizando o que os outros falam a respeito de sua escolha. Uns vão questionar o que você come e outros sem querer vão passar sua descrença. Enfim, o importante é não se deixar influenciar pelo que é colocado e sempre que surgirem dúvidas, busque seu “técnico” para compartilhar suas dúvidas (BECK, 2009).
Espero que tenham gostado… Até a próxima! 😉

A relação com a comida

Além de compreendermos o processo do corpo historicamente como mostrado no texto anterior, é necessário compreender também como ocorreu a história da alimentação e como esta contribuiu no que se refere ao excesso de peso.
A falta esteve presente em muitos momentos da história, como por exemplo, na Idade Média, por conta da peste negra ocorrida na Europa Ocidental, na qual a fome esteve presente de forma devastadora. Dessa forma, a gordura passa a exercer um papel compensatório em nossa sociedade.
Segundo Freire (2011, P.454) “O passado colonial brasileiro revela uma “história de gente gorda”, em que a gordura era sinônima de formosura, tornando-se a base de sustentação para que a barriga do burguês viesse a significar statuse prosperidade.”
O estudo sobre a comida e a forma de se alimentar deu inicio com a segunda geração da Escola dos Annales, movimento historiográfico fundado por Lucien Febvre e Marc Bloch, na qual a comida era percebida como um dos aspectos importantes relacionados a sobrevivência humana, juntamente com a habitação e o vestuário, passam a ser vistos como manifestações sócio-culturais de uma época. No que se refere à alimentação, percebem o compartilhar como forma de transmissão de valores, na qual “o que se come é tão importante quanto, quando, onde, como e com quem se come.” (FREIRE, 2011, p.455)
Já a história do restaurante está relacionada com o bem estar, a partir do momento que tem sua origem em pequenos estabelecimentos, com a finalidade de cuidar da saúde através da venda de sopas restauradoras, que eram servidas as pessoas enfraquecidas, daí o nome restaurante, de restaurar.
Outro fator importante encontrado em relação ao ato de comer refere-se a função de compartilhar afetos e costumes. A partir do momento em que a família se reúne em torno da mesa, a transmissão de costumes e a preservação de uma cultura acontecem, a partir daí, a crença de que a cozinha é a melhor parte da casa passa a existir.
O encontro que antes ocorria no momento da refeição passa a ser um evento raro. A pressa, fruto dos tempos pós-modernos passa a influenciar na maneira das pessoas se relacionarem com a comida e com a forma de comer. Aliado a isso, os fast foods passam a fazer parte do hábito alimentar do brasileiro (FREIRE, 2011).
As mudanças ocorridas nos padrões alimentares passam a olhar para o excesso de peso como uma epidemia global, sendo responsável por algumas doenças crônicas e a invalidez, mas vale considerar também os fatores causadores do desequilíbrio na pessoa, que são eles: genéticos, ambientais e patológicos.
De acordo com Freire (2011, p.459) “Entende-se que obesidade seja a situação em que o individuo apresenta uma quantidade de gordura maior do que a considerada normal”, lembrando que os padrões do que é normal e patológico estão em constante transformação. A OMS (Organização Mundial de Saúde) passou a considerar a obesidade como doença a partir de 1975 e para calcular se uma pessoa é obesa, a OMS escolheu o critério do Índice de Massa Corporal (IMC), no qual se calcula através da divisão do peso do corpo (kg) pela altura ao quadrado (m²); observando que quanto mais alto o IMC, maior é o risco de doenças. Sua classificação é feita da seguinte forma:
ü  18 a 24,9 – peso saudável (obesidade ausente);
ü  25 a 29,9 – grau de risco moderado (sobrepeso);
ü  30 a 34,9 – grau de risco alto (obesidade grau I);
ü  35 a 39,9 – grau de risco muito alto (obesidade grau II);
ü  Acima de 40 – grau de risco super alto (obesidade grau III – mórbida).
De acordo com os dados levantados pela SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica), 51% da população brasileira está acima do peso, desse número, 3% são obesos mórbidos e 66% tem idade entre 18 e 25 anos. Esses dados mostram que a obesidade é um problema de saúde pública, não só visto como uma questão de estética. (FREIRE, 2011)
Freire (2011, p. 462) aponta que “A obesidade resulta de uma completa desordem do apetite e do metabolismo energético; por isso, é necessário ensinar a criança a se nutrir e não induzi-la a preencher vazios internos com comida”. Além de ensinar a criança a importância de uma alimentação saudável, existe a necessidade de um treinamento no reconhecimento das emoções, pois tanto adultos quanto crianças, principalmente crianças, tem dificuldades em reconhecer as emoções e relacioná-las com os pensamentos. (BUNGE, GOMAR, MANDIL, 2012)
Fatores que também acabam gerando um desiquilíbrio em relação a forma de comer está associado a falta de práticas físicas e ao frequente uso da televisão – eu incluiria também o uso do computador em excesso. Percebe-se a importância do ambiente nesse processo, pois as áreas de lazer estão cada vez mais escassas nos centros urbanos. Além disso, os pais acabam valorizando uma educação baseada no ter em detrimento do ser, que acabam favorecendo a um desequilíbrio alimentar. Os hábitos alimentares são aprendidos no seio familiar, ou seja, a família serve como modelo que será levado até a fase adulta. TOZATTO apud FREIRE abordando o conceito de “geracionalidade” no que se refere aos transtornos alimentares aponta que:
“(…) tais desordens podem ter um histórico calcado em um legado transgeracional. Nesse sentido, a família pode ser vista como um envelope psíquico, que inscreve a criança em uma cadeia geracional. Quando a transmissão de valores se dá no positivo, é chamada de legado geracional, que propicia o encadeamento da dinâmica da vida, sem omissões ou segredos, permitindo, que se de a importante apropriação da trama familiar. É a partir daí, então, que o individuo pode passar a ser Sujeito da sua própria história. Por outro lado, quando se esbarra em impedimentos e em traumas familiares, que trazem em si segredos, lutas, perdas ou vergonhas, o legado é chamado transgeracional, ficando encriptado e podendo chegar à geração seguinte em forma de fantasma. A ‘geracionalidade’ no modo como os membros da família se relacionam com o alimento, o qual, de acordo com premissa máxima, é uma forma de afeto.” (2011, p. 465)
Dessa forma, o que não é expresso ou compreendido claramente pode se manifestar através do corpo. Miller (2011, p. 24) afirma que:
O corpo é o guardião de nossa verdade, porque carrega em si a experiência de toda a nossa vida e cuida para que consigamos viver com a verdade de nosso organismo. Ele nos obriga, com ajuda dos sintomas, a admitir essa verdade, inclusive de forma cognitiva, de modo que possamos nos comunicar harmonicamente com a criança um dia maltratada e humilhada que vive em nós.
Os dados históricos vistos até o presente momento facilitam uma melhor compreensão de como este se relaciona com a história individual de cada um. Já nos dias atuais, com a importância pautada no ter, a mídia passa a influenciar na forma de consumo das pessoas. Tal consumo acaba sendo associado à obesidade, a partir do momento em que as pessoas buscam suprir suas faltas através dos excessos, levando cada vez mais a comportamentos compulsivos. Freire (2011, p. 465) aponta que “O momento tem a marca registrada dos excessos, e as doenças atuais são o reflexo dessa tendência ao exagero (…)”. E os excessos acabam apontando para uma falta de limites, que está associada a uma característica da vida atual.
Em relação aos sentimentos, nota-se que existe um tabu ao lidar com os sentimentos considerados desagradáveis, com isso, ocorre uma dificuldade em reconhecer e encontrar meios de lidar de maneira adaptativa na vida. Ligado a isso, o contato com vínculos estáveis, favorece a resiliência, que está ligado a forma do individuo superar as adversidades, que ocorrem de forma continua durante a vida. Se não existe o contato com vínculos estáveis, os fatores de risco aumentam. Nesse sentido, podemos compreender que o excesso de peso ocorre da seguinte forma: “o obeso tenta preencher o vazio com alimento, em uma tentativa insaciável de aplacar a angustia, em vez de atravessá-la” FREIRE (2011, p. 473).
Associando a importância de vínculos positivos com o ato de alimentar-se, Freire destaca que:
Acreditando que o alimento é uma forma de afeto, é possível entender que alguns desenvolvam uma relação doentia com a alimentação, exatamente pela impossibilidade de bem decodificar as mensagens, eventualmente duplas, que tenham recebido em sua primeira infância (2011, p.470).
            Diante do que foi apresentado até o momento, é possível perceber que não existe uma única causa para o excesso de peso, podem estar associadas a influências socioculturais e emocionais. Não esquecendo também dos fatores genéticos e psicopatológicos que podem desencadear o sobrepeso e/ou a obesidade.
Atualmente, por mais que existam publicações a respeito do tema, as pessoas buscam áreas isoladas para resolver o problema do emagrecimento. No entanto, a resposta para essa questão está na interação entre profissionais de variadas áreas – medicina, nutrição, educação física e psicologia – para que o resultado seja realmente eficaz e duradouro.
Nesse sentido, vale ressaltar que o objetivo do presente trabalho é apresentar alguns temas importantes na área da psicologia sob a ótica da terapia cognitivo-comportamental que devem ser levantados em programas cujo objetivo seja o emagrecimento.
            No texto a seguir, abordarei informações sobre a construção da teoria e prática da terapia cognitivo comportamental (TCC).
Psicóloga Soraya Farias

 

Cuide da sua criança interior

Um desses selinhos que correm pelas redes sociais me chamou a atenção; ele dizia algo mais ou menos assim “que saudade da minha infância… na qual a única preocupação que eu tinha era a de escolher o lápis para pintar um desenho”. Percebi que a maioria das pessoas que comentaram, compartilhavam da mesma opinião; isso me fez refletir sobre o assunto e me perguntar o que será que faz com que essas pessoas sintam falta de algo que já passou sem perceber a beleza que existe no agora.
Se a idade adulta não está satisfatória, onde foi parar essa criança? Durante sua trajetória de crescimento e amadurecimento, em que momento sua espontaneidade parou de fazer parte de sua vida? Levantei algumas hipóteses, compartilhei com algumas pessoas esse meu questionamento e percebi algumas semelhanças com o que vinha pensando.
Realmente, crescer tem suas responsabilidades, mas responsabilidades nós temos desde crianças. Desde que cor escolher para pintar um desenho como dizia no selo até arrumar o material para ir à escola e cumprir as tarefas de casa. Vale ressaltar a importância de se vivenciar tais responsabilidades impostas a cada fase do desenvolvimento e em muitos casos, é exatamente o contrário o que acontece.
Com isso, dois pensamentos ficaram fortes em mim, o primeiro que me veio, foi acreditar que o sistema familiar no intuito de cuidar tão bem dos filhos, em alguns momentos pode vir a prejudicar, seja pela falta ou pelo excesso de cuidados, podendo proporcionar um comprometimento no processo de amadurecimento da criança e/ou adolescente. De repente esse adolescente ou até mesmo o jovem adulto se vê perdido; sendo cobrado pela sociedade e pela família para escolher uma profissão, a ter responsabilidades, atitudes, etc.
Não digo que o passado deva ser esquecido, pelo contrário, é muito saudável recordar situações  que nos trazem emoções positivas, mas tais situações podem e devem ser vivenciadas também no decorrer da vida. Vamos viver o presente!
Mas nem tudo está perdido, caso tenha feito escolhas que tenham trazido resultado pouco satisfatório, faça uma reflexão na forma que tem ocorrido. Pense no que você deseja e reflita se esses desejos são realmente seus ou se está reproduzindo os sonhos de outras pessoas. Lembre-se que sempre está em tempo de ser feliz!
Psicóloga Soraya Farias

Pirataria existencial

Lavoisier afirmou que na natureza “[…] nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, o que é de fato verdade e facilmente comprovado naquele ambiente, podendo inclusive ser tal afirmativa poética aplicável em parte também na natureza humana.
Desde pessoas comuns até gênios sempre ouvimos falar ou presenciamos pessoas que criaram e criam muitas coisas: máquinas, objetos, artes, músicas, poemas, negócios, idéias, cursos, histórias e muito mais. Tudo isso é fruto de um rebento chamado criatividade e intelectualidade que, de alguma forma, se materializa causando o milagre da transmutação do abstrato em concreto. Uma espécie de milagre cerebral e assim surgem as coisas!

 

 
As próprias pessoas passam por um processo psicológico chamado automodelagem, onde o sujeito em crescimento toma para si características que é do outro e experimenta ingredientes diferentes que lhe atiçam a curiosidade e interesse para formar sua própria identidade. Isso é perfeitamente saudável quando a criança tem as melhores referências e terrivelmente trágico quando a criança e até o adolescente tem as piores referências.

 

Eventualmente alguns comportamentos adultos são imitados pelas crianças, pelos adolescentes e até mesmo por outro adulto. É muito comum ver a criança utilizando acessórios de sua mãe; ou o adolescente caracterizado ao estilo de seu ídolo cinematográfico ou mesmo o próprio adulto com trejeitos de seu chefe. A imitação é uma espécie de identificação com o outro e também muito saudável quando tais influências ajudam o sujeito fazer as melhores e mais íntimas escolhas de quem ele gostaria ser, sem deixar de ser ele mesmo.

 

Por derradeiro nesta reflexão tem a cópia. Ela não é automodelagem nem identificação. É uma espécie de apropriação indébita da personalidade alheia. Quando o sujeito não sabe ou não gosta ser quem é e por isso precisa muito de uma personalidade qualquer, menos a que tem. De forma inconsciente deforma a própria identidade quando tenta vestir-se de outra identidade, copiando tudo quanto possível. Pior quando essa cópia é no âmbito material e a pessoa quer ter tudo igual ao que o outro tem e isso é a manifestação clássica da inveja.

 

A inveja é sublimada na lisonja. Todo sujeito bajulador é no fundo invejoso. Ele se aproxima zelosamente repleto de amabilidade para espreitar e sorrateiramente tomar o que cobiça. A pessoa invejosa varia sua fala em pelo menos dois tipos de verbalizações: a bajulação e a vitimização. Essa é a estratégia para amistosamente distrair a atenção e aflorar a comoção da pessoa invejada e, posteriormente, tomar de assalto o que puder, deixando em sua vítima o sentimento de que foi enganado, roubado, usado e depois descartado.

 

Viver esse roubo que o ínvido te submete é constrangedor em qualquer área. Pior quando esse processo se dá no campo das idéias relacionadas ao trabalho. A idéia é sua, mas o invejoso fala como se dele fosse. Enquanto o ciúme é o medo de perder quem não se tem a certeza possuir; a cobiça, por sua vez, é o desejo de tomar do outro aquilo que se tem a certeza não poder conseguir pela própria competência.

 

A pessoa não criar, tudo bem! A pessoa se automodelar em você, tudo bem! A pessoa querer te imitar, quando não é pura macaquice, certamente é uma honra! Mas a pessoa querer te copiar apropriando sistemática e metodicamente de tudo que você tem e é, para mim considero como uma espécie de pirataria existencial. Algo que permeia o perfil dos sociopatas e psicopatas, cujas estratégias não terminam com o assassinato do sujeito invejado, mas com o assassinato psicológico de identidade, por isso o invejoso não respeita as referências, ignorando-as e suprimindo-as como puder, matando-as psicologicamente com toda sua força e perversidade.

 

Não é a cópia de idéias que me aflora a indignação, mas a ingratidão patológica dos que copiam. E não há maior pena aplicável a esses piratas existenciais do que o próprio sentimento de culpa e aflição que tais invejosos ingratos amargam em seus esporádicos momentos de consciência, quando e se eventualmente os tiver.

 

Permitida a reprodução deste texto desde que citada a fonte: Prof. Chafic Jbeili emwww.unicead.com.br

Você conhece seus pontos fortes?

 

Li recentemente uma frase que combina muito com este texto: “Nunca será um novo ano se você cometer os mesmos erros do passado… Liberte-se!” E com o início de 2012 nada melhor que avaliarmos o que serve e o que não serve mais em nossa vida. É um belo convite, não acha?

É claro que esta avaliação deve ser feita constantemente, mas se a entrada de um novo ano é um fator motivador, essa é uma ótima chance para começar. Faça uma retrospectiva do ano que passou, pensando em todas as mudanças que ocorreram em sua vida, situações positivas e negativas que aconteceram. Inicie pelos acontecimentos positivos, pense no que facilitou cada conquista, e perceba que pontos fortes foram colocados em ação para que pudesse realizar cada tarefa. Mas o que são pontos fortes? De acordo com Buckingham e Cliftin (2008) um ponto forte é a capacidade de ter um desempenho estável e quase perfeito em determinada atividade. Entre alguns pontos fortes podemos citar: adaptabilidade, autoafirmação, carisma, competição, comunicação, disciplina, empatia, organização, etc.

Com base nisso, faça uma lista de todos os eventos positivos que ocorreram, e ao lado de cada um escreva os pontos fortes que facilitaram sua realização. Esses são os seus talentos! Por exemplo, uma pessoa que cumpre horário e prazos, que planeja antes de fazer algo tem como ponto forte a disciplina; agora vamos pensar que este ponto forte a possibilitou de organizar melhor suas finanças. Outro exemplo, uma pessoa que tem facilidade em transmitir idéias, tem como ponto forte a comunicação, que consequentemente possibilitou divulgar melhor o seu trabalho, e assim por diante.

É comum as pessoas não se darem conta de seu próprio potencial, percebem as mudanças ocorridas como algo do destino; não percebem que são responsáveis pela realização de seus sonhos. A partir do momento em que conhecemos nossos pontos fortes, a possibilidade de realização aumenta significativamente.

O próximo passo é anotar os eventos considerados desfavoráveis ocorridos no ano que passou. Em vez de olhá-los de forma negativa, compreenda estes eventos como um ensaio, reflita que pontos você necessita desenvolver para que consiga concretizar. Visto dessa maneira, tais eventos perdem a característica de fracasso e passam a ser positivos para futuras conquistas. É importante que você busque perceber os ganhos obtidos nestes eventos. Afinal, se você continua repetindo uma mesma situação, mesmo que ela não seja satisfatória, é por que existem ganhos.

Com tudo o que foi colocado até o momento, é possível fazer um balanço do ano que passou e pensar em formas mais assertivas de alcançar seus sonhos. Mas se você chegou até aqui e não conseguiu identificar seus pontos fortes, acredita não ter talento nenhum, talvez esteja na hora de iniciar um trabalho de autoconhecimento. Afinal todos tem seus pontos fortes, e conhecendo-os, a oportunidade de aprimorá-los fica maior e também de desenvolver outros significativos para sua vida. Espero que esse texto tenha ajudado e desejo um Feliz 2012 à todos!

Psicóloga Soraya Farias

A arrumação

Alguém mora numa casa pequena e, no correr dos anos, vai juntando muitos trastes nos cômodos. Muitos hóspedes trouxeram objetos e, quando se foram, deixaram as malas. É como se ainda estivessem aqui, embora tenham partido há muito tempo, e para sempre.
Também o que o próprio dono ajuntou permanece dentro de casa. É como se nada tivesse passado nem se perdido. Mesmo às coisas quebradas se apega a lembrança. E assim elas ficam e tiram o espaço para coisas melhores.
Só quando o proprietário está quase sufocando é que ele dá início à arrumação. Começa pelos livros. Será que ele vai querer contemplar eternamente as mesmas velhas imagens e tentar entender doutrinas e histórias alheias? Assim, remove o que havia muito tempo estava liquidado, e os cômodos ficam amplos e claros.
Então abre as malas alheias e examina se ainda encontra algo utilizável. Aí descobre algumas preciosidades e as coloca à parte. O resto ele carrega para fora.
Joga as velharias numa cova profunda . Cobre-a cuidadosamente com terra e depois planta grama por cima.
Existem histórias que são cercas. Elas comprimem e isolam. Quando nos acomodamos, elas nos proporcionam segurança. Mas quando queremos ir em frente, bloqueiam o nosso caminho. Histórias desse tipo nós próprios nos contamos, às vezes, e a chamamos de recordações. Porém muitas vezes nos contamos o que na época foi mau e nos feriu, mas não o que também nos libera. Então a lembrança se torna uma amarra, e a nossa liberdade de movimento fica reduzida.
(Bert Hellinger)
Recebi esse texto numa palestra vivencial coordenada pelo psicólogo Daniel Sá sobre “Ressignificando histórias: como transformar seu impasse em solução.” e gostaria de compartilhar aqui.

Análise Transacional

A análise transacional (AT) surgiu nos anos 50 fundada por Eric Berne, numa época em que o mundo passava por grandes mudanças conceituais e tecnológicas, muitas delas ainda reflexo da Segunda Guerra Mundial. Como em outras linhas teóricas, a Análise Transacional vem de uma força da época chamada psicologia humanista, que tinha a preocupação de rever conceitos anteriores da psicologia, no qual se encontravam a psicanálise e o comportamentalismo como principais abordagens, que apenas compreendiam o sujeito como produto do meio familiar e social, sem valorizar a responsabilidade, autonomia e escolha do sujeito. (Ginger; Ginger, 1995)

Ao definir a análise transacional, Berne (2007) coloca que:

“A análise transacional é uma teoria da personalidade e de ação social e um método clínico de psicoterapia, baseado na análise de todas as possíveis transações entre duas ou mais pessoas, com base em estados de ego especificamente definidos, num número finito de tipos estabelecidos.” (p.32)

O principal interesse da AT é estudar os estados de ego, que para Berne “(…) são sistemas coerentes de pensamento e sentimento manifestados por padrões de comportamento correspondentes” (Berne, 2007:25).

Esses estados de ego são representados pelo Pai (construído durante a formação da criança sendo, portanto uma contribuição das figuras parentais), Adulto (estado desenvolvido a partir das próprias experiências e das de outrem que são utilizadas para refletir sobre o “real”, colocando o “racional” em evidência) e Criança (estado que evidencia a tomada de decisões baseada nas próprias percepções, emoções e no comportamento do outro – imitação – sem, contudo ser essa conduta uma desqualificação para seu comportamento).

“Aqui o ego é entendido de maneira como é definido pela teoria psicanalítica. Não deve, entretanto, ser confundido com Ego, Superego e Id. Os estados de ego são modos de atividades do ego, cada um deles adaptado de forma única aos diferentes tipos de situações.” (STEINER, 1968:61)

Ao falar de AT, é importante abordar a teoria dos scripts e os jogos. A teoria dos scripts faz parte desde o início do surgimento da teoria da AT, quando Berne ainda se utilizava dos métodos psicanalíticos em seu trabalho clínico individual, fazendo uso do divã. Berne acreditava que os scripts eram repetições compulsivas e percebeu que o trabalho em grupo seria mais válido ao facilitar a descoberta de novas informações sobre esses scripts. Sua análise visava reviver novas situações na vida da pessoa, possibilitando sua autonomia. (Steiner, 1976)

De acordo com Berne,

“Toda pessoa possui um plano de vida pré-consciente ou script, através do qual estrutura planos mais longos de tempo – meses, anos ou toda uma vida, preenchendo-os com atividades, rituais, passatempos e jogos que levam adiante o seu script, dando-lhe satisfação imediata comumente interrompida por períodos de isolamento e, às vezes, episódios de intimidade.” (2007:36)

E para falar dos jogos, é importante ressaltar que este ocorre nas relações ou, como visto na AT, nas transações, que podem ser divididas em complementares, cruzadas e ulteriores. Essas transações ocorrem na comunicação feita de um estado de ego para outro ou outros.

Na transação complementar, a comunicação ocorre de forma paralela, ou seja, de/para: Pai/Pai, Adulto/Adulto ou Criança/Criança. Na transação cruzada, ocorre uma falha na comunicação, no qual um dos sujeitos, de repente muda do estado de ego que está para outro. Já na transação ulterior, a comunicação não fica clara para o Adulto. Quando algo é dito, pode haver outros significados por trás do que foi falado. (Goulding; Goulding: 1991)

Os jogos são uma série de transações complementares e ulteriores, que vão sendo incorporadas na infância. Desde cedo, a criança tem contato com os jogos feitos na família de origem e segundo Berne,

“Um jogo é uma série de transações complementares que se desenrolam até um desfecho definido e previsível. Pode ser descrito como um conjunto repetido de transações, não raro enfadonhas, embora plausíveis e com uma motivação oculta.” (BERNE, 1977:49)

Esses jogos envolvem uma isca e ocorrem repetidamente com um desfecho pré determinado, no qual a pessoa faz uma coisa, quando na realidade quer fazer outra. De acordo com Berne (2007:35) “Esta só funciona, (…) se houver uma fragilidade na qual possa enganchar, (…) como medo, a ganância, o sentimentalismo ou a irritabilidade.”

Análise Transacional, como uma técnica psicoterápica, tem algumas características que se debruçam sobre linguagem, responsabilidade e conceitos como: Permissão, Proteção e Potência.

A AT estabelece como princípio de trabalho a utilização de uma linguagem compreensível e acessível às pessoas. Acredita que dessa maneira, possibilitando o acesso do paciente a todos os aspectos do pensamento do terapeuta relacionado com o tratamento, permitirá que as modificações de comportamento do paciente possam ocorrer de forma mais eficaz. (STEINER, 1968)

Na Análise Transacional o paciente ocupa um lugar de responsabilidade em razão desta técnica entender que as ações tomadas pelo sujeito são oriundas de suas próprias decisões, o que lhe faculta as rédeas de sua vida e consequentemente a responsabilidade de seus eventuais distúrbios. Nessa relação terapêutica, estabelecida entre paciente e terapeuta, este último também é visto como alguém que deve assumir responsabilidades no que se refere às atitudes que tenha em relação ao paciente. Esse ponto de vista, em que paciente é responsável por suas atitudes e o terapeuta pelas ações que visam curar ou modificar estados caracterizados como indesejáveis pelo paciente, é que faz com que a AT seja “(…) considerada como uma forma contratual de tratamento (…)” (STEINER, 1968:61-64)

Já no conceito de permissão o terapeuta assume um papel diretivo; a proteção é uma consequência lógica dessa permissão já que o terapeuta passa a apoiar temporariamente o paciente, que se encontra em estado de ansiedade e de vacuum existencial oriundos do “descumprimento” das “indicações parentais”; a potência traz em si o comprometimento do terapeuta em curar e tomar as atitudes necessárias para que essa cura possa se dar (confrontando, pressionando e/ou acolhendo o paciente, segundo a necessidade do momento).

Dessa forma, a AT desenvolve no indivíduo a possibilidade de desmontar o “quebra-cabeça”, aqui denominado como script, e remontá-lo a seu próprio modo, libertando-se de “amarras” psicológicas e fornecendo ao cliente a liberdade necessária para alcançar o sucesso e desenvolver todas as suas potencialidades. Por mais amargo que possa parecer, deixou claro que grande parte da humanidade passa toda a vida “andando em círculos” e retornando ao ponto de partida. A Análise Transacional é sem dúvida uma ferramenta de transformação humana, individual, quanto à pessoa, e coletiva quanto à sociedade.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BERNE, E. O que você diz depois de dizer olá. (2ª edição). São Paulo: Nobel, 2007.19-37.

________. Os jogos da vida. (3ª edição). Rio de Janeiro: Editora Artenova S.A., 1977. 19-60.

GINGER, A. GINGER, S. Gestalt uma terapia de contato. (4ª edição). São Paulo: Summus Editorial, 1995. 93-96.

STEINER, C. Os papéis que vivemos na vida. Artenova. Rio de Janeiro, 1976. 14-34.

Psicóloga Soraya Farias