Reestruturação cognitiva e comportamental

 
Se você tem acompanhado as postagens anteriores, esse é o último referente a Terapia Cognitivo-Comportamental. Espero que gostem!
A partir do que foi levantado até o momento, ficará mais fácil compreender como a TCC pode contribuir para a manutenção e para o processo de emagrecimento do indivíduo. Relembrando que o comportamento é influenciado pela cognição, cognição esta que pode ser modificada gerando assim o comportamento desejado.
Na maioria das vezes, quando algumas pessoas têm dificuldades para emagrecer ou ficam numa oscilação do peso, ocorre o que chamamos de pensamentos disfuncionais ou sabotadores. Tais pensamentos dificultam na iniciação de algum programa de emagrecimento ou até mesmo em manter os comportamentos adequados para a manutenção do peso.
Um dos erros adotados pela maioria das pessoas é buscar formas de emagrecer rígidas demais, visando um resultado imediato e/ou muito diferentes do que já estão habituados a fazer em seu dia-a-dia, e o pior, não estando preparados para isso. Na maioria das vezes acabam fracassando e os pensamentos que estão associados ao fracasso são do tipo: “sou muito preguiçosa (o)”, “não tem jeito, sempre serei assim!”, “minha família é toda obesa, por isso sou gorda (o)”, “mudar é muito difícil”, “é a genética”, etc. Estes pensamentos acabam gerando sentimentos de impotência, desesperança e outros igualmente desagradáveis.
Dessa forma, Beck (2009) orienta que antes de buscar uma dieta, seria importante que a pessoa aprendesse a pensar funcionalmente de forma a manter um comportamento adaptativo em relação a sua meta. Tal aprendizado visa ampliar o repertório de habilidades para que a reeducação alimentar seja satisfatória. A partir do momento em que as técnicas são ensinadas, a pessoa pode começar a emagrecer antes mesmo de iniciar uma reeducação alimentar, pois é a partir desse aprendizado que a pessoa aprende a lidar com as dificuldades que ocorrem durante o processo.
Mas saber apenas as técnicas não é o suficiente.  É preciso também saber como colocar em ação, saber como o emocional interfere no processo e principalmente, ter consciência que cada um tem um processo de emagrecimento singular. De acordo com Ferreira (2009, p.25)
“Aceitar seu estado de obesidade é o primeiro passo. Saiba que aceitar não significa gostar de estar com sobrepeso, e sim reconhecer e respeitar o fato. Sem aceitação não há mudança, porque não há reconhecimento do que necessita ser mudado”.
De acordo com Beck (2009), um estudo feito na Suécia, demonstrou a eficácia da TCC em indivíduos que tinham como foco o emagrecimento. A conclusão do estudo foi que 92% das pessoas que passaram pelo programa conseguiram manter o peso e também reduziram ainda mais o peso após um ano e meio de tratamento. Já outros estudos revelaram que a maioria das pessoas que não passaram por um acompanhamento baseado na TCC voltou a recuperar a maior parte do peso eliminado.
Vale salientar que o pensamento pode influenciar na mudança de hábitos voltados para o emagrecimento de variadas formas. Quando uma pessoa inicia um processo de emagrecimento, ela não percebe, mas diversos pensamentos invadem sua mente. E como assinala Ferreira (2009, p.41) “quem deseja manter-se magro precisa emagrecer seu pensamento e sua alimentação de forma permanente.” Sendo assim, veja no quadro abaixo alguns dos pensamentos disfuncionais que dificultam no processo de emagrecimento.
Tipos de pensamentos
Características
Exemplos
Permissivo
Acompanhado de justificativas “mas…”.
  “Sei que para eu emagrecer preciso praticar atividade física, mas hoje estou tão cansada…”.
  “Sei que não deveria optar por um rodízio, mas se trata de uma comemoração…”.
Negativo
Acompanhado do erro cognitivo – catastrofização
 “Acabei comendo mais do que eu deveria… Sou um fracasso mesmo! Não adianta… Não vou conseguir…”.
Autorização
Desconsidera alguma ou todas as propostas do programa
 “Não tenho que ler os cartões de enfrentamento, sei exatamente do que preciso para mudar.”
Estressores
Estão associados à busca pela perfeição e com isso, criam metas irreais.
 “Não posso errar!”, “Tenho que fazer tudo perfeito”.
Quadro 1 – Tipos de pensamentos
O trabalho com esses tipos de pensamentos ocorrem através da reestruturação do pensamento. Dessa forma, o indivíduo aprenderá a pensar de maneira funcional e a lidar com as emoções conflituosas, ficando cada vez mais habilitado a resolver problemas e focando no que é mais saudável no momento. Essa mudança também acaba influenciando em seus comportamentos, pois tal aprendizagem torna o processo de emagrecimento bem mais fácil.
De acordo com Beck (2009), pessoas magras pensam de forma diferente de pessoas que tem dificuldade em manter ou que tem excesso de peso, com isso, fica nítido a necessidade de modificar o pensamento visando uma mudança no comportamento alimentar.
Outro fator importante a ser considerado é que o ato de comer vem sempre acompanhado de um estímulo. A partir do momento em que se percebem os estímulos, é possível aprender a reconhecê-los e a lidar positivamente com eles. Estimulo esse que pode ser:
  •   Estímulos ambientais: visão e o cheiro do alimento;
  •   Estímulos biológicos: fome e sede;
  •   Estímulos emocionais: a partir de sentimentos considerados desagradáveis o indivíduo busca o alimento como forma de alivio.
  •   Estímulos mentais: as imagens mentais sobre o ato de comer, ou focar a atenção em receitas, imagens de comida, etc.
  •   Estímulos sociais: pessoas que incentivam a comer ou o fato de querer comer como a maioria.
Segundo Beck (2009, p.37) a cadeia de eventos que leva ao ato de comer, ocorre da seguinte forma:
A pessoa encontra um estímulo, tem um pensamento, toma uma decisão  e logo age.
Muitas vezes o professor interno pode aparecer entre o pensamento e o comportamento, e esse debate entre o pensamento disfuncional e o pensamento funcional gera um gasto de energia que pode ser aliviado com a decisão de comer. Mas como Beck (2009, p. 38) aponta, “Da mesma forma que a decisão de comer pode reduzir a tensão, a decisão de não comer também pode”. Afinal o alivio ocorre antes de o alimento ser ingerido, pelo menos é assim que nosso cérebro funciona, ele registra o pensamento.
Um dos pontos trabalhados no programa de emagrecimento é a psicoeducacao, mostrando a importância de planejar a alimentação, aprender a resistir aos desejos por comida, melhorar ou modificar os hábitos alimentares, perceber a importância de atividade física. Ter um diário de bordo também é importante para que seus pensamentos e sentimentos sejam registrados. Além disso, pode ser um espaço para anotar e responder os pensamentos disfuncionais.
      Dessa forma, percebe-se a importância em incorporar algumas mudanças para que o programa tenha o sucesso esperado. Entre essas mudanças, podemos citar a forma de alimentar-se. É importante sentar-se para realizar as refeições. Além disso, é importante comer calmamente, saboreando o alimento, sem prestar atenção a outros estímulos, como comer falando ao telefone, ou na frente do computador, na frente da tv, etc.
Além de trabalhar a reestruturação do pensamento, outras habilidades também são necessárias para que o processo de emagrecimento seja eficaz. São elas:
  •   Saber diferenciar a fome da vontade de comer;
  •   Saber o quanto é necessário para saciar a fome;
  •   Não buscar na comida uma forma de conforto, que acaba gerando autocrítica e abala a autoconfiança.
  •   Perceber como terrível o fato de engordar.
  •   Ter atitude proativa, afinal uma pessoa magra não come bombas calóricas ou vivem para comer. Já uma em processo de emagrecimento pode ter uma atitude reativa, focando na injustiça e se colocando como vítima.
  •   Ter consciência que uma reeducação alimentar é para sempre. Apesar de o processo ser lento, as chances de manter são muito maiores.
Algumas técnicas auxiliarão no processo de emagrecimento. A primeira delas são os cartões de enfrentamento, que são cartões em brancos comprados em papelaria, no qual, recomenda-se escrever neles frases motivadoras mostrando as vantagens de emagrecer. Sempre colocando em ordem de importância. Para que o cérebro possa registrar estas frases, é necessário que sejam lidos duas vezes por dia. Não apenas fazer uma leitura, mas uma reflexão de todas as vantagens. E durante o programa é importante que outros cartões sejam criados para que haja cada vez mais uma maior implicação ao processo de emagrecimento (BECK, 2009).
E para colaborar na mudança por hábitos saudáveis, além da reestruturação dos pensamentos, é essencial que o ambiente também seja propicio para o processo de emagrecimento. Tirar os alimentos calóricos da frente é fundamental, cuidar dos estímulos ambientais ajuda muito. Trocar pratos e talheres grandes por pratos menores e optar por alimentos mais saudáveis.
Durante o processo, a pessoa aprende a reconhecer suas próprias qualidades. Que é fundamental para combater o lado critico, pois em vez de focar no que fez de errado, aprender a ver o que fez de certo faz toda a diferença. Isso facilita a lidar positivamente com possíveis deslizes.
Parece que quando o desejo é emagrecer varias situações ocorrem e desistir do emagrecimento é o mais fácil. Para solucionar essa questão, além de trabalhar os pensamentos disfuncionais, é importante eleger um “técnico”. Esse técnico terá a função de ajudar nós momentos de crise e também nós momentos de realizações. Esse técnico pode ser um amigo, um parente ou mesmo um profissional (BECK, 2009).
Além de trabalhar o olhar sobre a comida e o ato de comer, é preciso ter consciência que a atividade física é essencial para alcançar a meta e como consequência tem inúmeros benefícios:
  •   Melhor aderência à dieta;
  •   Controla melhor o apetite;
  •   Alivia o estresse e melhora a disposição;
  •   Queima calorias;
  •   Preserva o tecido muscular;
  •   Promove a autoconfiança;
  •   Promove um bem estar físico e mental;
  •   Melhora a saúde e evita doenças.
Cada vez fica mais claro que o processo de emagrecimento não se trata apenas de fechar a boca e fazer alguma atividade física. O emagrecimento é um processo lento, não acontece do dia para a noite, mas a partir do momento em que se inicia, traz grandes benefícios em várias áreas da vida.
Espero que tenham gostado! Até a próxima… 😉

Além das técnicas da terapia cognitivo-comportamental

No texto anterior falei sobre a terapia cognitivo-comportamental. Mas a abordagem não para por aí, existem muito mais informações a respeito dela. É uma abordagem rica e  que apresenta um resultado muito positivo no trabalho clínico. Diante disso, resolvi me estender um pouco mais e compartilhar com vocês esse texto que faz parte da minha monografia de conclusão de curso na especialização clínica em Terapia Cognitivo-Comportamental com ênfase em neurociência realizada no CPAF/UCAM RJ.
Muitos pensam que a TCC – terapia cognitivo-comportamental – é um amontoado de técnicas, de certa forma estão até certos, pois existem uma variedade de recursos disponíveis, mas não para por aí, não basta conhecer as técnicas e saber aplicá-las, é preciso estudo e aprimoramento constante por parte do profissional. Dessa forma, iniciando qualquer técnica na abordagem cognitivo-comportamental, é necessário que antes, o cliente perceba que ele, através de seus pensamentos disfuncionais é o responsável pelos problemas apresentados e não os outros como acontece na maioria das vezes. É muito comum jogarmos a responsabilidade para fatores externos (MCMULLIN, 2005).
            No primeiro encontro com o cliente é possível trabalhar essa questão através da técnica do A-B-C criada por Albert Elis. No qual, o “A” representa a situação e o “C” representa a consequência, ou seja, as emoções e os comportamentos. Essa é uma maneira universal de pensamento, mas é uma forma equivocada de pensar, pois o mundo externo não tem poder sobre nós. O responsável por nossos sentimentos está relacionado à nossa forma de pensar. Por isso, entre o “A” e o “C”, existe o “B” que representa nossas crenças que estão associadas à maneira de pensar, que podem ocorrer através de imagens, percepções, interpretações e fantasias (MCMULLIN, 2005).
            Parece fácil, mas nossos pensamentos são influenciados por um número extenso de processos internos, que muitas vezes já existem antes mesmo da situação “A” acontecer. Nossa maneira de perceber o mundo é um deles. Como falamos anteriormente, desde a infância vamos adquirindo uma série de aprendizagens que vão virando regras pessoais. Tais regras orientam nossas expectativas em relação a nós mesmos, ao outro e ao mundo. Quando estas expectativas estão fora da realidade, ocasiona um adoecimento, pois muitas vezes ou são inatingíveis ou viram obrigações na vida do individuo.
Outro ponto a levantar está no que o individuo acredita ser capaz de realizar, ou seja, sua autoeficácia.  Eficácia essa que precisa estar em equilíbrio, nem baixa e nem alta demais, se não sua realização fica comprometida. Tanto expectativas quanto autoeficácia formam o que chamamos de autoconceito. É ele que determina como o indivíduo atua na vida e também o que ele sente (MCMULLIN, 2005).
No caso da atenção, essa ocorre junto com a situação, ou seja, é ela que nos leva a perceber ou não o que ocorre. É como assistirmos uma cena de um filme, cada pessoa focará sua atenção em um determinado ponto. De acordo com McMullin (2005, p. 48) “O que nos afeta, no ambiente, é aquilo que nosso cérebro nos diz para prestar atenção”. Já a memória seletiva atua buscando experiências semelhantes já ocorridas na vida do individuo para assim, saber como agir diante do evento. Vale ressaltar que a memória não é exata, pois quando nos lembramos do passado, o recriamos de acordo com nossa percepção baseada no presente. Uma frase do escritor Gabriel García Márquez que retrata bem essa parte, diz o seguinte: “a vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para conta-la”.
            Outra influência é a necessidade que o ser humano tem de atribuir uma causa ao que acontece a ele. Se esta causa não é encontrada, ele a cria, mas nem sempre condiz com o que realmente é, dificultando assim, resolver o problema.
Não nos damos conta, mas entre uma emoção e um comportamento, sempre avaliamos a emoção antes de agirmos. E quanto mais negativa a avaliação em relação à emoção sentida, mais baixa será a capacidade de tolerância do individuo. O que determina a motivação do individuo em relação à situação ocorrida é o tipo de avaliação que fazem da emoção, caso essa avaliação seja negativa, o individuo terá dificuldades em lidar positivamente com o comportamento. Além da avaliação, temos também o que é chamado autoinstrução, que atua da mesma forma que a anterior, mas funciona como um professor interno. A autoinstrução é a forma encontrada pelo individuo, ainda enquanto criança, de lidar com determinadas situações da forma que ele acredita ser a mais adequada. O importante é perceber que tipo de conteúdo essa voz passa e qual o contexto em que ele é aplicado. Por exemplo, se uma pessoa que visa mudar os hábitos alimentares, tiver um professor interno crítico que diz: “Não está adiantando nada a reeducação alimentar”, a pessoa pode acabar desistindo do objetivo de emagrecer; já uma pessoa com o professor interno muito permissivo, pode pensar: “não tem problema abusar dos doces no final de semana, afinal é só dessa vez”.
Outra que também costuma atuar junto é a cognição oculta, que o individuo dificilmente reconhece, pois atua extremamente rápido e como consequência acaba agindo como se não tivesse escolhas. O individuo acaba relatando o seguinte: “Estava tão ansiosa que acabei me entupindo de sorvete” (MCMULLIN, 2005).
            Além de todas as influências anteriores que o pensamento sofre, ainda tem o estilo explicativo que está relacionado com a percepção geral que o individuo tem acerca da situação. É a forma que o individuo encontra para explicar o ocorrido e que também serve para compreendermos como o individuo atuará em situações futuras. Segundo Seligman (1975,1994, 1996, apud MCMULLIN, 2005) existem três categorias de estilo explicativo pessimista:
ü  Interno x Externo
ü  Estável x Instável
ü  Global x Específico
Os três tipos considerados desfavoráveis são: o interno, que está relacionado com o próprio indivíduo, ou seja, responsabiliza a genética ou sua personalidade com o problema. O estávelestá relacionado ao tempo de permanência do problema, que é percebido como duradouro e o global que acaba percebendo a situação de forma generalista, não vendo a situação como algo específico.
Diante do que foi visto até o momento, fica claro que as técnicas não são receitas de bolo como muitos ainda acreditam. E que outros fatores devem ser levados em consideração na hora da aplicação de uma técnica, para que a mesma tenha o resultado esperado.
Psicóloga Soraya Farias

 

Terapia Cognitivo-comportamental – TCC

No texto anterior, abordei o olhar sobre o corpo e sobre a alimentação. Neste texto, o objetivo é informar como surgiu a terapia cognitivo-comportamental e como esta pode auxiliar não só no que se refere ao emagrecimento, como também em variadas questões.
O olhar sobre a cognição nasceu a partir do questionamento existente a respeito de como a psicanálise e a abordagem comportamental lidavam com o problema da depressão. Na década de 60, tais questionamentos fizeram que alguns profissionais dessas abordagens buscassem nos processos cognitivos a explicação para os transtornos psicológicos. Nessa mesma década, Aaron Beck, ainda psicanalista, conduziu experimentos e observações clínicas, na qual se pensava na depressão como sendo uma raiva voltada para dentro. De acordo com Beck, os sonhos estavam associados à depressão, porém percebeu que os mesmos conteúdos presentes nos sonhos, estavam também presentes nos pensamentos dos pacientes. Tal conteúdo era sempre ligado à autocrítica, pessimismo e negatividade. Esta descoberta foi de grande importância para o surgimento da Terapia Cognitiva (PADESKY, 2010).
A partir daí, Beck passou a associar a depressão a padrões negativos de pensamento, levando ele a criar o Beck Depression Inventory(Inventário de Depressão de Beck – BDI), sendo este aperfeiçoado ao longo do tempo, passando a apontar também mudanças na motivação e no funcionamento físico. Além disso, é considerada a escala mais usada para mensurar a depressão (PADESKY, 2010).
Com isso, a Terapia Cognitiva (TC) foi cada vez mais se desenvolvendo e conquistando espaço no meio acadêmico. Segundo Knapp (2004), a Terapia Cognitivo Comportamental envolve mais de vinte abordagens terapêuticas, mas independente das diferenças que possam ocorrer, existem características comuns entre elas:
  Estão ligadas ao fato de considerar o comportamento como sendo influenciado pela cognição;
  Que a cognição pode ser monitorada e modificada;
  Que o comportamento desejado pode ser conseguido a partir da mudança de pensamento.
A TCC de Beck, inicialmente foi desenvolvida para o tratamento da depressão e atualmente pode ser aplicada em uma série de outros transtornos e/ou áreas. O foco do trabalho terapêutico está em identificar e reparar padrões de pensamentos disfuncionais por meio do levantamento de hipóteses que serão confirmadas ou não ao longo do processo. Segundo TEIXEIRA (2004, p.302) “As origens dessas distorções vêm de erros decorrentes da organização cognitiva individual que as pessoas desenvolvem ao longo do curso da vida.” Dessa forma, a terapia cognitiva está pautada na relação entre pensamento, emoção e comportamento, levando em consideração que não é a situação ocorrida que ativa os sentimentos, mas sim o que pensamos acerca da situação. Quando tais pensamentos são disfuncionais, suscitam sentimentos considerados negativos, podendo ocorrer dificuldade na adaptação do individuo em seu meio. 
Burns (1989 apud Knapp, 2004, p.20) “Nós sentimos o que pensamos” e por mais simples que pareça, não é bem assim. Freeman et al (1990 apud Knapp (2004, p.20) ressalta o seguinte:
“Mas a TC não é um modelo linear em que “as situações ativam pensamentos, que geram uma consequência com resposta emocional, comportamental e física”. Há uma interação recíproca de pensamentos, sentimentos, comportamentos, fisiologia e ambiente. É reconhecido que as emoções podem influenciar os processos cognitivos e que os comportamentos também podem influenciar a avaliação de uma situação pela modificação da própria situação ou por evocar respostas de outras pessoas”.
Na terapia cognitiva, quando se fala em cognição, é necessário apontar que identificamos e trabalhamos com três níveis de cognição. São eles:
  Pensamentos automáticos;
  Pressupostos subjacentes ou crenças intermediárias;
  Crenças nucleares ou centrais.
De acordo com a figura abaixo proposta por Knapp (2004), é possível perceber como são organizados os níveis de cognição. Os pensamentos automáticos estão ligados às crenças intermediárias que por sua vez estão ligadas as crenças nucleares ou centrais.

 
Os pensamentos automáticos como o próprio nome já diz, são os pensamentos que vem automaticamente à mente, de maneira rápida e que muitas vezes não são percebidos por quem os tem. Quando tais pensamentos são disfuncionais, eles atuam em cima das emoções e do comportamento do indivíduo, podendo vir em forma de pensamentos ou também em forma de imagens. Os pensamentos automáticos podem ocorrer através de situações internas, como por exemplo, um enjoo, ou externas, como por exemplo, alguém não retribuir uma saudação. Segundo Beck, “você pode aprender, no entanto, a identificar seus pensamentos automáticos prestando atenção às suas mudanças de afeto” (1997, p.30).
Os pensamentos automáticos podem ser de três tipos: Beck (1995 apud Knapp (2004, p.25) 
1.      Distorcidos, ocorrendo apesar das evidencias em contrário. 
Ex.: “Se me separar, nunca mais serei feliz”. 
2.      Acurados, mas com a conclusão distorcida. 
Ex.: “Meu filho não me telefonou até agora, deve estar incomodado comigo”. 
3.      Acurados, mas totalmente disfuncionais. 
Ex.: “Com essa lesão articular, a vida perdeu a graça, pois nunca mais poderei jogar tênis”.

Os pressupostos subjacentes ou crenças intermediárias como também são conhecidos influenciam os pensamentos automáticos e são influenciados pelas crenças centrais. Referem-se a padrões, atitudes, normas e regras impostas pelo individuo em situações vividas no dia a dia e estão sempre associadas a uma condição, que sendo seguida á risca, transcorre tudo maravilhosamente bem. O não cumprimento dessas crenças intermediárias pode ocasionar na ativação das crenças centrais negativas (KNAPP, 2004).
Segundo Beck (1997, p.32), “Em uma situação específica, as crenças subjacentes da pessoa influenciam sua percepção, que é expressa por pensamentos automáticos específicos à situação. Esses pensamentos, por sua vez, influenciam as emoções da pessoa”.
Exemplificando, vamos supor que uma pessoa tenha uma crença central de fracasso (falaremos sobre crenças centrais mais a frente) e tenha uma crença intermediária do tipo “tenho que ser o melhor em tudo que faço”. Percebem que existe uma condição? Caso ele não seja o melhor, sua crença central poderá ser ativada, ou seja, ele se achará um fracassado.
As crenças nucleares ou crenças centrais são formas de cognição mais internalizadas, consideradas verdades absolutas, percebidas de maneira rígida e generalizada pelo individuo, pois estão relacionadas às construções adquiridas na infância sobre a própria pessoa, o outro e sobre o mundo. Tais construções são fortalecidas ao longo dos anos, no qual servem de modelo para a interpretação de eventos ocorridos, formando o jeito psicológico de ser de cada um.
Beck (1995 apud Knapp, 2004, p.23) apresenta três agrupamentos de crenças disfuncionais:
1.      Crenças nucleares de desamparo(crenças sobre ser impotente, frágil, vulnerável, carente, desamparado, necessitado).
2.      Crenças nucleares de desamor (crenças sobre ser indesejável, incapaz de ser gostado, incapaz de ser amado, sem atrativos, imperfeito, rejeitado, abandonado, sozinho).
3.      Crenças nucleares de desvalor (Crenças sobre ser incapaz, incompetente, inadequado, ineficiente, falho, defeituoso, enganador, fracassado, sem valor). 
Associado as crenças centrais estão os esquemas. A diferença entre eles é 
que as crenças centrais são o conteúdo e os esquemas são as estruturas. Segundo Beck (1964,1967 apud Knapp, 2004, p.23)
“Esquemas são estruturas internas de relativa durabilidade que armazenam aspectos genéricos ou prototípicos de estímulos, idéias ou experiências, e também organizam informações novas para que tenham significado, determinando como os fenômenos são percebidos e conceitualizados.”
                Os esquemas primitivos mal adaptativos também são construídos a partir de interações disfuncionais com pessoas importantes na vida inicial do indivíduo. Os esquemas são compostos de cognições, memórias e sensações corporais vivenciadas pelo individuo e por sua interação com o outro, que servem como molde para o processamento de experiências.
Tais esquemas são considerados verdades absolutas, difíceis de modificar sem o trabalho terapêutico, estando também associados a um grande nível de afeto quando ativados (raiva, ansiedade, culpa ou tristeza), o que facilita a visualização do esquema, possibilitando o confronto e a modificação do mesmo (YOUNG, 2003)
Estes esquemas são desencadeados quando existe alguma mudança negativa na vida do indivíduo. Além disso, são autoperpetuáveis, ou seja, para que se mantenham, já que são resistentes à mudança, recorrem a três formas de atuação visando o reforçamento do esquema. Segundo Young (2003) e Knapp (2004) os processos de um esquema são:
  Manutenção do esquema: são utilizados o pensamento e o comportamento de forma a reforçarem o esquema. Age de acordo com uma profecia auto realizadora, pois o indivíduo atua de maneira a fazer que o esquema se mantenha. Além disso, algumas distorções cognitivas estão presentes, entre elas estão: maximização, minimização, abstração seletiva e generalização.
  Evitação do esquema: como o próprio nome já diz, o indivíduo busca evitar que o esquema seja ativado. Pode ocorrer através da evitação cognitiva, no qual o indivíduo bloqueia pensamentos ou imagens referentes ao esquema. Na evitação afetiva, o indivíduo bloqueia os sentimentos, sendo muito comum relatarem não sentir nada em situações que gerariam emoções na maioria das pessoas e por fim, a evitação comportamental que está associada ao fato do individuo evitar situações que possam desencadear o esquema.
  Compensação do esquema: Atuam tanto de forma cognitiva quanto comportamental e acabam atuando no polo oposto ao esquema. Por exemplo, se a pessoa tem um esquema de desconfiança, acaba confiando em todos. Muitas vezes é considerado de forma funcional, pois o individuo atua de maneira a atender as necessidades, porém acaba não dando certo, pois tudo precisa de um equilíbrio, que está ausente neste processo. 
Como podemos ver, a TCC é uma abordagem terapêutica diretiva e semiestruturada que visa à resolução de problemas. Tanto terapeuta quanto cliente tem um papel ativo no desenvolvimento da terapia, estabelecendo metas e tarefas entre as sessões. O cliente aprende a ser seu próprio terapeuta, através do aprendizado adquirido no decorrer das sessões e também através do feedback presente na relação terapêutica, possibilitando assim, uma melhor resposta futura frente a adversidades que surjam. Durante o processo terapêutico, o cliente aprende através de técnicas específicas a identificar seus pensamentos e crenças disfuncionais buscando alternativas mais adaptáveis para sua vida.
Referente ao tempo de tratamento existe uma variação, Nos estudos feitos por Beck (1976, Abreu, 2004, p.284), a proposta seria de quatro a quatorze sessões semanais. Neste mesmo estudo, foi apontado que alguns clientes podem levar de 1 a 2 anos para modificar suas crenças e comportamentos disfuncionais. Em outro estudo realizado por Beck e Freeman (1993, Abreu, 2004, p.284) apontam que a melhora dos sintomas está associada à motivação do cliente e da possibilidade de resolução do problema.
Apesar de parecer uma abordagem simples, existem vários detalhes que devem ser levados em consideração. No texto a seguir veremos mais informações sobre a Terapia cognitivo-comportamental. Espero que tenham gostado até aqui. 🙂
 
 
Referências bibliográficas
PADESKY, Christine A. Aaron Beck – A mente, o homem e o mentor. Organizadores: LEAHY, Robert L et al. Terapia cognitiva contemporânea: teoria, pesquisa e prática. Porto Alegre: Artmed, 2010. p.19
KNAPP, Paulo. Princípios fundamentais da terapia cognitiva. Organizadores: KNAPP, Paulo et al. Terapia cognitivo-comportamental na prática psiquiátrica. Porto Alegre: Artmed, 2004, p.19.
YOUNG, Jeffrey E. Terapia cognitiva para transtornos da personalidade – uma abordagem focada no esquema. Porto Alegre: Artmed, 2003.
BECK, Judith S. Terapia cognitiva – teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 1997.
Psicóloga Soraya Farias

A relação com a comida

Além de compreendermos o processo do corpo historicamente como mostrado no texto anterior, é necessário compreender também como ocorreu a história da alimentação e como esta contribuiu no que se refere ao excesso de peso.
A falta esteve presente em muitos momentos da história, como por exemplo, na Idade Média, por conta da peste negra ocorrida na Europa Ocidental, na qual a fome esteve presente de forma devastadora. Dessa forma, a gordura passa a exercer um papel compensatório em nossa sociedade.
Segundo Freire (2011, P.454) “O passado colonial brasileiro revela uma “história de gente gorda”, em que a gordura era sinônima de formosura, tornando-se a base de sustentação para que a barriga do burguês viesse a significar statuse prosperidade.”
O estudo sobre a comida e a forma de se alimentar deu inicio com a segunda geração da Escola dos Annales, movimento historiográfico fundado por Lucien Febvre e Marc Bloch, na qual a comida era percebida como um dos aspectos importantes relacionados a sobrevivência humana, juntamente com a habitação e o vestuário, passam a ser vistos como manifestações sócio-culturais de uma época. No que se refere à alimentação, percebem o compartilhar como forma de transmissão de valores, na qual “o que se come é tão importante quanto, quando, onde, como e com quem se come.” (FREIRE, 2011, p.455)
Já a história do restaurante está relacionada com o bem estar, a partir do momento que tem sua origem em pequenos estabelecimentos, com a finalidade de cuidar da saúde através da venda de sopas restauradoras, que eram servidas as pessoas enfraquecidas, daí o nome restaurante, de restaurar.
Outro fator importante encontrado em relação ao ato de comer refere-se a função de compartilhar afetos e costumes. A partir do momento em que a família se reúne em torno da mesa, a transmissão de costumes e a preservação de uma cultura acontecem, a partir daí, a crença de que a cozinha é a melhor parte da casa passa a existir.
O encontro que antes ocorria no momento da refeição passa a ser um evento raro. A pressa, fruto dos tempos pós-modernos passa a influenciar na maneira das pessoas se relacionarem com a comida e com a forma de comer. Aliado a isso, os fast foods passam a fazer parte do hábito alimentar do brasileiro (FREIRE, 2011).
As mudanças ocorridas nos padrões alimentares passam a olhar para o excesso de peso como uma epidemia global, sendo responsável por algumas doenças crônicas e a invalidez, mas vale considerar também os fatores causadores do desequilíbrio na pessoa, que são eles: genéticos, ambientais e patológicos.
De acordo com Freire (2011, p.459) “Entende-se que obesidade seja a situação em que o individuo apresenta uma quantidade de gordura maior do que a considerada normal”, lembrando que os padrões do que é normal e patológico estão em constante transformação. A OMS (Organização Mundial de Saúde) passou a considerar a obesidade como doença a partir de 1975 e para calcular se uma pessoa é obesa, a OMS escolheu o critério do Índice de Massa Corporal (IMC), no qual se calcula através da divisão do peso do corpo (kg) pela altura ao quadrado (m²); observando que quanto mais alto o IMC, maior é o risco de doenças. Sua classificação é feita da seguinte forma:
ü  18 a 24,9 – peso saudável (obesidade ausente);
ü  25 a 29,9 – grau de risco moderado (sobrepeso);
ü  30 a 34,9 – grau de risco alto (obesidade grau I);
ü  35 a 39,9 – grau de risco muito alto (obesidade grau II);
ü  Acima de 40 – grau de risco super alto (obesidade grau III – mórbida).
De acordo com os dados levantados pela SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica), 51% da população brasileira está acima do peso, desse número, 3% são obesos mórbidos e 66% tem idade entre 18 e 25 anos. Esses dados mostram que a obesidade é um problema de saúde pública, não só visto como uma questão de estética. (FREIRE, 2011)
Freire (2011, p. 462) aponta que “A obesidade resulta de uma completa desordem do apetite e do metabolismo energético; por isso, é necessário ensinar a criança a se nutrir e não induzi-la a preencher vazios internos com comida”. Além de ensinar a criança a importância de uma alimentação saudável, existe a necessidade de um treinamento no reconhecimento das emoções, pois tanto adultos quanto crianças, principalmente crianças, tem dificuldades em reconhecer as emoções e relacioná-las com os pensamentos. (BUNGE, GOMAR, MANDIL, 2012)
Fatores que também acabam gerando um desiquilíbrio em relação a forma de comer está associado a falta de práticas físicas e ao frequente uso da televisão – eu incluiria também o uso do computador em excesso. Percebe-se a importância do ambiente nesse processo, pois as áreas de lazer estão cada vez mais escassas nos centros urbanos. Além disso, os pais acabam valorizando uma educação baseada no ter em detrimento do ser, que acabam favorecendo a um desequilíbrio alimentar. Os hábitos alimentares são aprendidos no seio familiar, ou seja, a família serve como modelo que será levado até a fase adulta. TOZATTO apud FREIRE abordando o conceito de “geracionalidade” no que se refere aos transtornos alimentares aponta que:
“(…) tais desordens podem ter um histórico calcado em um legado transgeracional. Nesse sentido, a família pode ser vista como um envelope psíquico, que inscreve a criança em uma cadeia geracional. Quando a transmissão de valores se dá no positivo, é chamada de legado geracional, que propicia o encadeamento da dinâmica da vida, sem omissões ou segredos, permitindo, que se de a importante apropriação da trama familiar. É a partir daí, então, que o individuo pode passar a ser Sujeito da sua própria história. Por outro lado, quando se esbarra em impedimentos e em traumas familiares, que trazem em si segredos, lutas, perdas ou vergonhas, o legado é chamado transgeracional, ficando encriptado e podendo chegar à geração seguinte em forma de fantasma. A ‘geracionalidade’ no modo como os membros da família se relacionam com o alimento, o qual, de acordo com premissa máxima, é uma forma de afeto.” (2011, p. 465)
Dessa forma, o que não é expresso ou compreendido claramente pode se manifestar através do corpo. Miller (2011, p. 24) afirma que:
O corpo é o guardião de nossa verdade, porque carrega em si a experiência de toda a nossa vida e cuida para que consigamos viver com a verdade de nosso organismo. Ele nos obriga, com ajuda dos sintomas, a admitir essa verdade, inclusive de forma cognitiva, de modo que possamos nos comunicar harmonicamente com a criança um dia maltratada e humilhada que vive em nós.
Os dados históricos vistos até o presente momento facilitam uma melhor compreensão de como este se relaciona com a história individual de cada um. Já nos dias atuais, com a importância pautada no ter, a mídia passa a influenciar na forma de consumo das pessoas. Tal consumo acaba sendo associado à obesidade, a partir do momento em que as pessoas buscam suprir suas faltas através dos excessos, levando cada vez mais a comportamentos compulsivos. Freire (2011, p. 465) aponta que “O momento tem a marca registrada dos excessos, e as doenças atuais são o reflexo dessa tendência ao exagero (…)”. E os excessos acabam apontando para uma falta de limites, que está associada a uma característica da vida atual.
Em relação aos sentimentos, nota-se que existe um tabu ao lidar com os sentimentos considerados desagradáveis, com isso, ocorre uma dificuldade em reconhecer e encontrar meios de lidar de maneira adaptativa na vida. Ligado a isso, o contato com vínculos estáveis, favorece a resiliência, que está ligado a forma do individuo superar as adversidades, que ocorrem de forma continua durante a vida. Se não existe o contato com vínculos estáveis, os fatores de risco aumentam. Nesse sentido, podemos compreender que o excesso de peso ocorre da seguinte forma: “o obeso tenta preencher o vazio com alimento, em uma tentativa insaciável de aplacar a angustia, em vez de atravessá-la” FREIRE (2011, p. 473).
Associando a importância de vínculos positivos com o ato de alimentar-se, Freire destaca que:
Acreditando que o alimento é uma forma de afeto, é possível entender que alguns desenvolvam uma relação doentia com a alimentação, exatamente pela impossibilidade de bem decodificar as mensagens, eventualmente duplas, que tenham recebido em sua primeira infância (2011, p.470).
            Diante do que foi apresentado até o momento, é possível perceber que não existe uma única causa para o excesso de peso, podem estar associadas a influências socioculturais e emocionais. Não esquecendo também dos fatores genéticos e psicopatológicos que podem desencadear o sobrepeso e/ou a obesidade.
Atualmente, por mais que existam publicações a respeito do tema, as pessoas buscam áreas isoladas para resolver o problema do emagrecimento. No entanto, a resposta para essa questão está na interação entre profissionais de variadas áreas – medicina, nutrição, educação física e psicologia – para que o resultado seja realmente eficaz e duradouro.
Nesse sentido, vale ressaltar que o objetivo do presente trabalho é apresentar alguns temas importantes na área da psicologia sob a ótica da terapia cognitivo-comportamental que devem ser levantados em programas cujo objetivo seja o emagrecimento.
            No texto a seguir, abordarei informações sobre a construção da teoria e prática da terapia cognitivo comportamental (TCC).
Psicóloga Soraya Farias

 

Que corpo é esse?

Venho estudando sobre o tema emagrecimento e gostaria de compartilhar com todos os interessados um pouco do meu trabalho. Ao longo das semanas, postarei a continuação desse trabalho. Espero que gostem!
Esse texto tem como objetivo levantar uma reflexão sobre o corpo numa perspectiva histórica, visando compreender sua construção em relação ao emagrecimento até os dias atuais. 
Dessa forma, é importante ressaltar que o corpo foi inventado no século XX, a partir das observações feitas por Freud nos corpos exibidos por Charcot em Salpêtrière; A partir disso, viriam estudos sobre o inconsciente e como este se comunica através do corpo, em seguida viriam estudos sobre as somatizações; este último, levando a compreender o corpo como parte de sua formação enquanto sujeito. Cabe salientar que antes do século XX, o corpo era visto com um pedaço de matéria, ou seja, parte de uma engrenagem. (COURTINE, 2006)
A partir do século XX a saúde passou a ser percebida como sendo um direito do homem. Saúde esta, que coloca a medicina como sendo essencial à vida das pessoas, e o corpo passa ser a forma de demonstrar essa saúde. Segundo Moulin (2006, p.15):
A assim chamada medicina ocidental tornou-se não apenas o principal recurso em caso de doenças, mas um guia de vida concorrente das tradicionais direções da consciência. Ela promulga regras de comportamentos, censura os prazeres, aprisiona o cotidiano em uma rede de recomendações.
No período conhecido como Belle Époque, que compreende o final do século XIX e inicio do século XX, o pudor corporal vai dando indícios de seu fim. Antes as pernas não podiam ser mostradas e o corpo precisava ser escondido até no momento de fazer amor com o intuito de “não despertar pensamentos pecaminosos em relação à moral religiosa”. O corpo antes proibido de ser mostrado vai se revelando através da moda e do turismo. Inicialmente os maios eram inteiros e escuros, depois passam a ser claros e com listras, sempre com a intenção de esconder os corpos. A partir de 1930 as roupas de banho vão diminuindo. As mulheres passam a usar vestidos mais curtos e o espartilho dá lugar ao sutiã. Nesta mesma época a sexualidade antes apenas sugerida, passa a fazer parte dos filmes e cartazes.
Todas essas mudanças no guarda-roupa tiveram um reflexo na vida das pessoas. Segundo SOHN (2006, p.111-112)
Desde então, com efeito, que homens e mulheres não podem mais trapacear com o corpo, os cânones da beleza física se mostram muito exigentes. A partir da Belle Époque, o modelo do homem e mulher magros e longilíneos predomina. Com a nudez do verão, é necessário ainda por cima exibir músculos firmes. O recuo do pudor implica assim um novo trabalho sobre o corpo entre musculação e dietética incipiente. Mas é só depois, da década de 1960, que o regime passa a ser uma preocupação unanimemente compartilhada (…).
            É também a partir de 1930 que as cirurgias estéticas vão sendo procurada pelas mulheres e a musculação pelos homens. Na segunda metade do século XX é lançado o biquine, considerado um escândalo e um pouco mais tarde, 1964, as mulheres passam a tirar a parte de cima do biquine em nome da liberdade corporal.
            No que se refere à alimentação, esse discurso sempre fez parte da vida das pessoas, mas é a partir do século XX que ele toma a forma de prevenção, visando um indivíduo saudável. Por volta da segunda metade do século XX nasce um novo discurso dietético, no qual se faz necessário um profissional formado para essa prática. Inicialmente é a médica dieteticista, grupo este, formado em sua maioria por mulheres e que mais tarde passa a fazer parte das práticas sociais, formado por médicos especializados como “nutricionistas”. Essa área trabalha de maneira autônoma, oferecendo resultados rápidos e sem a ligação com o sistema médico. Ory (2006) destaca que:
Essa preocupação crescente das sociedades desenvolvidas, tendendo em certos indivíduos à ansiedade, ou até à obsessão, ainda mais quando combinada com o diagnóstico complexo, e de difícil tratamento, da anorexia, alimenta, logo, uma vulgata dietética sempre mais difundida e, em função dos avanços do conhecimento biológico, sempre mais sofisticados, como o comprova a passagem da temática da “celulite” à do “colesterol”, depois à distinção entre colesterol “bom” e “mau”, etc. (2006, p.164)
            Com as mudanças ocorridas nos campos cultural e econômico, os corpos passam a apresentar um modelo de saúde estando esguios facilmente encontrados na classe dominante e na classe média. Além disso, outro ponto a destacar é a mudança ocorrida no setor do trabalho, no qual a necessidade de esforço físico vai diminuindo a cada dia, provocando um aumento na obesidade. “O sobrepeso vai se tornar, na aurora do século XXI, uma preocupação ao mesmo tempo da “autoimagem” individual bem como de saúde pública (…)” (ORY, 2006, p.164).
            O saber dietético acaba se ampliando devido às revistas femininas e também ao modelo de magreza trazida pela boneca Barbie desenvolvida pela empresa Mattel. Concomitante a isso, na década de 60 a modelo Twiggy se torna ícone de beleza, deixando para traz os corpos curvilíneos da década de 50 representados pelas pin-up. O discurso do corpo esguio é apoiado pelos médicos como sinônimo de saúde, provocando um aumento de pacientes, tanto homens quanto mulheres para a melhora de sua forma física. (ORY, 2006)
            A seguir abordaremos a relação que o corpo tem com a comida, a partir do viés histórico do ato de se alimentar. (CONTINUA…)
Psicóloga Soraya Farias

A arrumação

Alguém mora numa casa pequena e, no correr dos anos, vai juntando muitos trastes nos cômodos. Muitos hóspedes trouxeram objetos e, quando se foram, deixaram as malas. É como se ainda estivessem aqui, embora tenham partido há muito tempo, e para sempre.
Também o que o próprio dono ajuntou permanece dentro de casa. É como se nada tivesse passado nem se perdido. Mesmo às coisas quebradas se apega a lembrança. E assim elas ficam e tiram o espaço para coisas melhores.
Só quando o proprietário está quase sufocando é que ele dá início à arrumação. Começa pelos livros. Será que ele vai querer contemplar eternamente as mesmas velhas imagens e tentar entender doutrinas e histórias alheias? Assim, remove o que havia muito tempo estava liquidado, e os cômodos ficam amplos e claros.
Então abre as malas alheias e examina se ainda encontra algo utilizável. Aí descobre algumas preciosidades e as coloca à parte. O resto ele carrega para fora.
Joga as velharias numa cova profunda . Cobre-a cuidadosamente com terra e depois planta grama por cima.
Existem histórias que são cercas. Elas comprimem e isolam. Quando nos acomodamos, elas nos proporcionam segurança. Mas quando queremos ir em frente, bloqueiam o nosso caminho. Histórias desse tipo nós próprios nos contamos, às vezes, e a chamamos de recordações. Porém muitas vezes nos contamos o que na época foi mau e nos feriu, mas não o que também nos libera. Então a lembrança se torna uma amarra, e a nossa liberdade de movimento fica reduzida.
(Bert Hellinger)
Recebi esse texto numa palestra vivencial coordenada pelo psicólogo Daniel Sá sobre “Ressignificando histórias: como transformar seu impasse em solução.” e gostaria de compartilhar aqui.

Análise Transacional

A análise transacional (AT) surgiu nos anos 50 fundada por Eric Berne, numa época em que o mundo passava por grandes mudanças conceituais e tecnológicas, muitas delas ainda reflexo da Segunda Guerra Mundial. Como em outras linhas teóricas, a Análise Transacional vem de uma força da época chamada psicologia humanista, que tinha a preocupação de rever conceitos anteriores da psicologia, no qual se encontravam a psicanálise e o comportamentalismo como principais abordagens, que apenas compreendiam o sujeito como produto do meio familiar e social, sem valorizar a responsabilidade, autonomia e escolha do sujeito. (Ginger; Ginger, 1995)

Ao definir a análise transacional, Berne (2007) coloca que:

“A análise transacional é uma teoria da personalidade e de ação social e um método clínico de psicoterapia, baseado na análise de todas as possíveis transações entre duas ou mais pessoas, com base em estados de ego especificamente definidos, num número finito de tipos estabelecidos.” (p.32)

O principal interesse da AT é estudar os estados de ego, que para Berne “(…) são sistemas coerentes de pensamento e sentimento manifestados por padrões de comportamento correspondentes” (Berne, 2007:25).

Esses estados de ego são representados pelo Pai (construído durante a formação da criança sendo, portanto uma contribuição das figuras parentais), Adulto (estado desenvolvido a partir das próprias experiências e das de outrem que são utilizadas para refletir sobre o “real”, colocando o “racional” em evidência) e Criança (estado que evidencia a tomada de decisões baseada nas próprias percepções, emoções e no comportamento do outro – imitação – sem, contudo ser essa conduta uma desqualificação para seu comportamento).

“Aqui o ego é entendido de maneira como é definido pela teoria psicanalítica. Não deve, entretanto, ser confundido com Ego, Superego e Id. Os estados de ego são modos de atividades do ego, cada um deles adaptado de forma única aos diferentes tipos de situações.” (STEINER, 1968:61)

Ao falar de AT, é importante abordar a teoria dos scripts e os jogos. A teoria dos scripts faz parte desde o início do surgimento da teoria da AT, quando Berne ainda se utilizava dos métodos psicanalíticos em seu trabalho clínico individual, fazendo uso do divã. Berne acreditava que os scripts eram repetições compulsivas e percebeu que o trabalho em grupo seria mais válido ao facilitar a descoberta de novas informações sobre esses scripts. Sua análise visava reviver novas situações na vida da pessoa, possibilitando sua autonomia. (Steiner, 1976)

De acordo com Berne,

“Toda pessoa possui um plano de vida pré-consciente ou script, através do qual estrutura planos mais longos de tempo – meses, anos ou toda uma vida, preenchendo-os com atividades, rituais, passatempos e jogos que levam adiante o seu script, dando-lhe satisfação imediata comumente interrompida por períodos de isolamento e, às vezes, episódios de intimidade.” (2007:36)

E para falar dos jogos, é importante ressaltar que este ocorre nas relações ou, como visto na AT, nas transações, que podem ser divididas em complementares, cruzadas e ulteriores. Essas transações ocorrem na comunicação feita de um estado de ego para outro ou outros.

Na transação complementar, a comunicação ocorre de forma paralela, ou seja, de/para: Pai/Pai, Adulto/Adulto ou Criança/Criança. Na transação cruzada, ocorre uma falha na comunicação, no qual um dos sujeitos, de repente muda do estado de ego que está para outro. Já na transação ulterior, a comunicação não fica clara para o Adulto. Quando algo é dito, pode haver outros significados por trás do que foi falado. (Goulding; Goulding: 1991)

Os jogos são uma série de transações complementares e ulteriores, que vão sendo incorporadas na infância. Desde cedo, a criança tem contato com os jogos feitos na família de origem e segundo Berne,

“Um jogo é uma série de transações complementares que se desenrolam até um desfecho definido e previsível. Pode ser descrito como um conjunto repetido de transações, não raro enfadonhas, embora plausíveis e com uma motivação oculta.” (BERNE, 1977:49)

Esses jogos envolvem uma isca e ocorrem repetidamente com um desfecho pré determinado, no qual a pessoa faz uma coisa, quando na realidade quer fazer outra. De acordo com Berne (2007:35) “Esta só funciona, (…) se houver uma fragilidade na qual possa enganchar, (…) como medo, a ganância, o sentimentalismo ou a irritabilidade.”

Análise Transacional, como uma técnica psicoterápica, tem algumas características que se debruçam sobre linguagem, responsabilidade e conceitos como: Permissão, Proteção e Potência.

A AT estabelece como princípio de trabalho a utilização de uma linguagem compreensível e acessível às pessoas. Acredita que dessa maneira, possibilitando o acesso do paciente a todos os aspectos do pensamento do terapeuta relacionado com o tratamento, permitirá que as modificações de comportamento do paciente possam ocorrer de forma mais eficaz. (STEINER, 1968)

Na Análise Transacional o paciente ocupa um lugar de responsabilidade em razão desta técnica entender que as ações tomadas pelo sujeito são oriundas de suas próprias decisões, o que lhe faculta as rédeas de sua vida e consequentemente a responsabilidade de seus eventuais distúrbios. Nessa relação terapêutica, estabelecida entre paciente e terapeuta, este último também é visto como alguém que deve assumir responsabilidades no que se refere às atitudes que tenha em relação ao paciente. Esse ponto de vista, em que paciente é responsável por suas atitudes e o terapeuta pelas ações que visam curar ou modificar estados caracterizados como indesejáveis pelo paciente, é que faz com que a AT seja “(…) considerada como uma forma contratual de tratamento (…)” (STEINER, 1968:61-64)

Já no conceito de permissão o terapeuta assume um papel diretivo; a proteção é uma consequência lógica dessa permissão já que o terapeuta passa a apoiar temporariamente o paciente, que se encontra em estado de ansiedade e de vacuum existencial oriundos do “descumprimento” das “indicações parentais”; a potência traz em si o comprometimento do terapeuta em curar e tomar as atitudes necessárias para que essa cura possa se dar (confrontando, pressionando e/ou acolhendo o paciente, segundo a necessidade do momento).

Dessa forma, a AT desenvolve no indivíduo a possibilidade de desmontar o “quebra-cabeça”, aqui denominado como script, e remontá-lo a seu próprio modo, libertando-se de “amarras” psicológicas e fornecendo ao cliente a liberdade necessária para alcançar o sucesso e desenvolver todas as suas potencialidades. Por mais amargo que possa parecer, deixou claro que grande parte da humanidade passa toda a vida “andando em círculos” e retornando ao ponto de partida. A Análise Transacional é sem dúvida uma ferramenta de transformação humana, individual, quanto à pessoa, e coletiva quanto à sociedade.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BERNE, E. O que você diz depois de dizer olá. (2ª edição). São Paulo: Nobel, 2007.19-37.

________. Os jogos da vida. (3ª edição). Rio de Janeiro: Editora Artenova S.A., 1977. 19-60.

GINGER, A. GINGER, S. Gestalt uma terapia de contato. (4ª edição). São Paulo: Summus Editorial, 1995. 93-96.

STEINER, C. Os papéis que vivemos na vida. Artenova. Rio de Janeiro, 1976. 14-34.

Psicóloga Soraya Farias

Como anda o seu tempo?

A questão do tempo começou a chamar a minha atenção, a partir do momento que percebi como se tornou constante as pessoas dizerem “Não tenho tempo!”. Fiquei imaginando o que essa pequena frase poderia significar para cada pessoa. Afinal o que é a falta de tempo?

A falta de tempo para alguns pode significar apenas uma necessidade de melhorar a organização diária, para outros pode estar relacionado à dificuldade da pessoa em dizer “não”, ou ainda pode significar uma boa desculpa para não levar um planejamento adiante. Nesse último caso, muitas pessoas usam de forma a não se comprometerem, usando o “Não tenho tempo!” no lugar do “eu não quero!”

É claro que não podemos levar essas justificativas ao pé da letra, existem muitos outros motivos, mas precisamos pensar que o tempo é nosso e devemos organizá-lo da melhor maneira possível, se quisermos melhorar nossa vida.

O primeiro passo é refletir se o tempo gasto é dedicado a você, a outra pessoa ou ambos. Pense no tempo que é dedicado a você e ao outro e se essas tarefas podem ser delegadas a outras pessoas. Percebo que em alguns casos as pessoas se sobrecarregam acreditando que o outro não seja capaz de realizar a tarefa, trazendo para si essa obrigação, mostrando em alguns casos excesso de perfeccionismo.

Uma dica importante é criar uma agenda diária, seja de papel, no computador ou no próprio celular, colocando seus compromissos, priorizando os eventos mais importantes, lembrando-se de deixar um tempo adequado entre um evento e outro, afinal ao organizar sua agenda diária, deve-se pensar que imprevistos podem acontecer.

Ao passar seus compromissos para a agenda, verifique se os eventos são realmente necessários para aquele momento, ou seja, se eles estão alinhados com os seus objetivos no momento. Se estiverem, quais os seus ganhos ao realizá-los? Ao se comprometer com algum evento, é bom que tenha consciência do ganho que ele traz para sua vida.

Lembre-se que é importante ter objetivos bem definidos, pois quanto mais definido ele é, mais chances você tem de organizar e cumprir suas atividades. Por exemplo, é muito comum pessoas que querem perder peso dizerem que não tem tempo para caminhar ou para frequentar uma academia. Mas quando pergunto qual a relevância da prática esportiva em sua vida, não sabem bem o que responder.

Não se cobre muito no início, veja o que é possível realizar e o mais importante: não desista!

Psicóloga Soraya Farias

À espera de uma nova vida – como você está se preparando?

De pouco tempo para cá o tema gravidez tem feito parte do meu mundo e antes que você pense que a grávida sou eu, já vou avisando que minha fonte de inspiração é uma amiga minha muito querida. Ela dizia que engravidar não fazia parte dos planos dela; será? Afinal, nada acontece por acaso. E para quem já passou por essa experiência, deve lembrar ou não, pois é o tipo de situação que a mulher que já passou por isso prefere esquecer. Estou falando dos enjoos matinais.

Apesar de estar associado à gravidez, é necessário esclarecer que nem todas as mulheres passam por essa experiência, isso não significa ser algo ruim ou que haja a possibilidade de alguma intercorrência durante a gestação, afinal acredita-se que o enjoo é provocado pela produção de hormônios que são liberados em maior quantidade no primeiro trimestre da gravidez. Independente de ter ou não enjôo, é necessário que a futura mamãe faça um acompanhamento pré-natal com um médico de confiança, de modo que este momento seja o mais tranquilo possível, tanto no quesito saúde, quanto nas dúvidas que podem ser sanadas ao longo dos nove meses, possibilitando assim, uma diminuição no nível de ansiedade dos futuros papais.

A gravidez provoca na mulher uma mudança tanto fisiológica quanto emocional. No que se refere à fisiologia, ocorre a produção de hormônios que preparam o corpo feminino para acolher o bebê. E sabe aquela mania que algumas mulheres tem de querer comer certos alimentos durante a madrugada? O causador desse comportamento é um dos hormônios em questão, a gonadotrofina. Já no campo emocional, é comum que as mudanças sofridas pela mulher resultem numa carência afetiva.

Vale lembrar que tanto o stress quanto o cansaço facilitam o surgimento de enjôos e enjoa-se de certos alimentos, de cheiros e pasmem, de pessoas! Refleti sobre esse último elemento e percebo que cada vez, fica mais nítida para mim a importância em se perceber corpo e mente como uma unidade que precisam estar em harmonia, o conflito entre eles, faz com que o corpo nos mostre que algo não vai bem e de acordo com Cairo (1999), o enjôo ocorre devido à insegurança, raiva ou rancor e ao medo. Será que isso faz algum sentido para esse tipo de enjôo? Quero deixar claro que não sou a favor de generalizações, por isso não levem isso ao pé da letra, mas apenas como uma possibilidade.

O emocional está vinculado ao fisiológico, sendo assim, é importante que a gestante cuide também dos aspectos emocionais, participando de terapia individual ou de um grupo terapêutico com outras gestantes, visando um maior bem estar. Torno a repetir que o pré-natal é essencial e também que a compreensão e acolhimento por parte do parceiro e da família são fundamentais. A gravidez é um momento especial e único! Parabéns!!!

DICA: Aproveite esse momento para criar um diário de bordo e anote nele todas as vivências e sentimentos em relação ao processo que está vivendo. Não é necessário mostrá-lo a ninguém, ele é seu.

Psicóloga Soraya Farias

Síndrome de burnout – Segunda Parte

Na postagem anterior, busquei levantar uma reflexão sobre os atravessamentos ocorridos em toda a sociedade, na qual as mudanças ocorrem de forma extremamente rápida e na maioria das vezes não nos encontramos preparados para lidar com elas. Tudo isso acaba refletindo principalmente na educação, pois os professores acabam sendo cobrados por tarefas que não cabem à eles e outros fatores também influenciam em seu trabalho causando um desgaste físico e emocional de grandes proporções. Se trata de um estresse crônico, percebido pelos colegas de trabalho e familiares; na maioria das vezes o profissional infelizmente só procura auxilio quando se encontra num estágio avançado da síndrome. Desânimo e desmotivação com o trabalho geralmente são os primeiros sinais, mais tarde aparecendo sintomas físicos além dos psicológicos.

 

O burnout tem características parecidas com o estresse e a depressão e apresenta quatro estágios de evolução. Geralmente inicia com a desmotivação e desânimo no trabalho, avançando para dificuldades nas relações, lapsos de memórias, despersonalização e por fim, chegando ao uso de drogas ilícias e pensamentos suicídas. O dignóstico é feito por um psicólogo ou médico e leva em consideração três dimenções da doença: o esgotamento emocional, despersonalização e o envolvimento pessoal no trabalho.

 

Esse quadro apresenta sintomas físicos, psicológicos e comportamentais e é fundamental que haja nas escolas um trabalho de prevenção para esses profissionais.

 

 

“A saúde nao é a ausência de doença ou de enfermidade, mas um bem-estar físico, mental e social” (Organização Mundial de Saúde)